Adolescentes não usam preservativos
Adolescentes não usam preservativos
Os adolescentes sabem que devem usar anticoncepcional e preservativos, mas não fazem disto uma prática rotineira. Esta constatação é feita por praticamente todos os profissionais que trabalham com jovens em grupos de conversas. Maria Cristina Rodrigues Gil, da Secretaria Estadual de Saúde, conta que as meninas assumem o uso de preservativo apenas em uma relação nova. Assim que é criada uma intimidade com o parceiro, a camisinha deixa de ser usada. Eles precisam aprender como lidar com a coisa do afeto e a manutenção do preservativo durante o ato, diz Cristina, lembrando que a decisão de usar a camisinha devia partir dos dois, mas como quem coloca é o menino e a menina tem pouco poder de negociação, elas acabam tendo relação sem proteção e correndo o risco.
Dados do Ministério da Saúde e da Sociedade Civil do Bem-Estar Familiar (Bemfam) comprovam que os adolescentes são informados, mas agem com descuido: 99% sabem o que é Aids, mas apenas 3,6% das meninas e 22,2% dos rapazes usam preservativo para proteção contra o vírus HIV.
Susana Denicol, coordenadora do Projeto Promotoras/Planejamento Familiar da Schering do Brasil, que leva informações e promove debates em escolas públicas e privadas de cinco estados, acredita que talvez o fato da sociedade brasileira não validar a sexualidade do adolescente faz com que ele tenha dificuldade em assumir o uso de um método anticoncepcional, uma vez que isto significa, acima de tudo, assumir a sua sexualidade perante a sociedade.
Esta conduta tem consequências drásticas na vida do adolescente, como as doenças sexuais e, principalmente, a gravidez indesejada - muitas vezes seguida de aborto.
Não há dados seguros sobre o número de abortos, uma vez que esta é uma prática clandestina. O documento Saúde Sexual Reprodutiva dos Adolescentes, elaborado pela Rede Nacional Feminista de Saúde de Direitos Reprodutivos afirma que em 96 foram realizados 241.392 abortos entre adolescentes.
Dados sobre o número de internações hospitalares para a correção de sequelas de abortos são outro indicativo. Em 1993, as adolescentes foram responsáveis por 19% destes procedimentos pelo SUS, índice que subiu para 22% em 97. Vale citar ainda que esta é a quinta causa de internação dos adolescentes na rede pública e também responsável por 9% das mortes maternas.
A relutância do adolescente em usar camisinha vem causando, também, um processo de juvenização da Aids, que está contaminando uma faixa etária cada vez mais baixa. Entre o sexo masculino, segundo o Ministério da Saúde, a faixa etária mais atingida está entre 30 e 35 anos, e entre 25 a 29 anos para o sexo feminino. Estes dados, entretanto, referem-se a pessoas já doentes. Se levarmos em consideração que o vírus demora cerca de dez anos para se manifestar, chega-se à conclusão que os homens foram infectados entre 20 e 25 anos e as mulheres entre 15 a 19 anos. (M.G.)





