Nada mudou em Paranaguá com a entrada em vigor do toque de recolher, a partir das 21 horas, para adolescentes menores de 16 anos, na noite de domingo. As ruas da cidade estavam cheias de crianças até a madrugada. Em bares e boates, a entrada dos menores não foi impedida, apesar da portaria estar afixada nas paredes.
No primeiro dia de vigência da norma, os dez comissários de Infância, responsáveis pela fiscalização, nem chegaram a sair às ruas. Em todos os bares e boates, havia adolescentes transitando traquilamente. Alguns, como a estudante R.D.S., 15 anos, confessavam o temor de serem flagrados nas ruas, devido à entrada em vigor da portaria. ‘‘Saí hoje para curtir o último dia’’, disse E.B.C., 16 anos, em frente a um dos clubes mais tradicionais da cidade, o Republicano.
Inicialmente, a portaria do juiz da Vara da Infância e Juventude, Fábio André Santos Muniz, 29 anos, havia proibido qualquer estudante da sair desacompanhado depois das 21 horas. Com a repercussão da medida, voltou atrás e determinou que apenas menores infratores e integrantes de gangues estavam impedidos de sair. A medida não agradou a maioria dos pais de adolescentes, que não queriam exceções. A dificuldade de quem fiscaliza está justamente em identificar quem é e quem não é infrator. Deste modo poucos adolescentes ficam em casa.
Entre os adolescentes reina a falta de informação. Poucos deles sabem que houve mudança na portaria e que apenas aos infratores está vedado o direito de ir e vir sem um responsável. Acreditam que a norma vale para eles próprios, mas mesmo assim todos saem de casa após as 21 horas, desacompanhados, como se desafiassem a lei.
As menores R.D.S. e a amiga V.D.R., 16 anos, são duas exceções. Elas foram impedidas de entrar no Clube Republicano por causa da idade. O diretor social e de segurança do clube, Otávio Laje Pavão, disse que antes mesmo da entrada em vigor da norma avisou, pelos aparelhos de som da boate, que menores seriam proibidos de entrar na casa, desde domingo. ‘‘Por causa de uma minoria a casa corre riscos’’, disse ele, que é a favor da portaria. ‘‘Aqui nós fiscalizamos e menores não entram’’, afirmou.
Mas nem o rigor da fiscalização do Clube Republicano conseguiu impedir que os menores F.J.C., 16 anos, A.C., 16 anos, e E.V., 15 anos, entrassem e passassem a noite dançando nas pistas do clube. Os menores juraram que, pelo menos, não pertencem a nenhuma gangue.Marcelo AlmeidaPouco casoAdolescentes frequentam tranquilamente a noite de Paranaguá, apesar da portaria que cria toque de recolher. O problema é identificar quais são os infratoresAs ruas de Paranaguá estavam cheias de crianças até a madrugada de domingo, apesar da norma afixada nas paredes
A mudança não agradou
a maioria dos pais
de adolescentes, que
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