Adolescentes infratores recebem educação especial para cidadania
O Paraná está servindo de laboratório para a implementação de um programa inédito no País com o desenvolvimento educacional de adolescentes infratores. Com o apoio do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), o projeto pretende mudar radicalmente a concepção didática das aulas ministradas nas unidades de internamento do País ao abordar questões como paz, sexualidade, emprego e direitos humanos aos jovens. Como parte dos incentivos, o Unicef já destinou cerca de R$ 80 mil ao Educandário São Francisco, em Piraquara, para melhorar a qualidade de ensino da instituição. O educandário é a únida instituição que abriga menores infratores no Paraná e tem hoje 200 internos.
A meta é acelerar o ensino escolar dos menores, já que eles têm grande defasagem em relação a idade e série que frequentam, explica o oficial de políticas e direitos do Unicef, Mário Volpi, que participou em Curitiba de um encontro com representantes de unidades de internamento do Paraná, Distrito Federal e Rio Grande do Sul. Estas unidades servirão de teste do programa. Eles discutiram no Instituto de Ação Social do Paraná (Iasp), vinculado à Secretaria da Criança, a elaboração de um roteiro básico para o monitoramento das experiências educacionais.
De acordo com Volpi, é preciso inserir em sala de aula discussões que norteiam a realidade deste jovens. Não adianta apenas ensinar o be-a-bá, comenta o representante do Unicef. Você está trabalhando com um adolescente de 15, 16 anos que querem debater situações do seu cotidiano. Não dá para ficar naquela coisa simplificada de matemática, acrescenta. A finalidade do programa é formar uma base ética para reorientar o projeto de vida do adolescente quando voltar para a sociedade.
O Unicef pretende divulgar no final do ano junto com as instituições envolvidas no programa um documento para auxiliar outros estados a implantarem o mesmo método de ensino. A partir de agora vamos fazer um conteúdo básico e repassar para as instituições. O plano de aula vai depender da realidade de cada unidade. Esta reunião em Curitiba foi o ponto de partida, disse Mário Volpi. Segundo ele, o Paraná é o estado que reúne melhores condições estruturais para colocar o programa em prática nesta fase experimental. O alvo do projeto no Estado é o Educandário São Francisco.
A diretora do educandário, Rita de Cássia Naumann, informa que todos os internos frequentam as aulas. As séries vão desde a etapa do primário até o segundo grau. São cerca de três horas e meia diárias de ensino. Na outra parte do dia, os internos praticam atividades esportivas e profissionais nas 15 oficinas existentes na instituição, como informática, marcenaria, alfaiataria, sapataria e datilografia. Com os cursos profissionalizantese as aulas normais você possibilita que o adolescente seja inserido novamente na sociedade, comenta Rita.
O Educandário São Francisco está atualmente com 200 internos. Sua capacidade máxima é de 150, diz Rita. A diretora observa que contatos estão sendo feitos com o Juizado de Menores para transformar as penas de privação de liberdade em trabalhos comunitários ou liberdade assistida para reduzir o número de jovens no Educandário e atender os casos de maior gravidade.





