Dezesseis adolescentes internados no Centro de Sócio-Educação de Londrina, o Educandário, promoveram um tumulto no final da manhã de ontem, que duas horas. Os motivos da confusão teriam sido o ''excesso'' de atividades e a substituição de funcionários. O motim acabou sendo um batismo de fogo para cerca de 90% dos funcionários da unidade que haviam assumido seus cargos anteontem em substituição a educadores mais antigos. O Pelotão de Choque da Polícia Militar foi acionado mas não precisou intervir diretamente.
De acordo com o diretor da Unidade, Cássio Silveira Franco, os adolescentes da ala A - considerados mais rebeldes - estavam em atividades desde o início da manhã e por volta das 11 horas se amotinaram. O grupo não queria participar das aulas de ensino regular e também se negava a retornar para seus alojamentos, como prevê o regulamento disciplinar da unidade. Eles destruíram duas tampas da rede de esgoto para usarem pedaços de ferro e danificaram duas portas e as paredes da ala.
Com a chegada da Polícia Militar, segundo o diretor, um dos adolescentes amotinados simulou ter dominado um outro interno. ''No início, pensamos se tratar de uma situação com refém, mas depois verificamos que era uma simulação'', afirmou. No local, comentou-se que o adolescente teria dominado o companheiro de ala por causa de uma rixa antiga, mas essa hipotése foi descartada mais tarde. Antes que a PM precisasse intervir, os internos negociaram a rendição e foram encaminhados para seus cubículos.
Franco revelou que os motivos da confusão teriam sido dois. Primeiro, seria o ''excesso'' de atividades, principalmente, aquelas ligadas à escolarização regular. Segundo o diretor, os adolescentes deixam seus alojamentos às 7h30, permanecem o dia todo envolvidos com aulas, atendimentos e oficinas, tanto interna quanto externamente, e só voltam a ser isolados às 19h30. Em segundo lugar, o motim teria sido uma forma de os adolescentes testarem a capacidade de ação dos 90% de novos funcionários que anteontem substituíram os que concluíram seus contratos temporários de dois anos. No entendimento de Franco, os novos educadores demonstraram que foram muito bem treinados, porque ''conseguiram fazer a rendição sem confronto''.
A promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria de Paula, participou da negociação com os adolescentes e comentou que já esperava que eles promovessem algum tipo de tumulto na unidade por causa da troca de pessoal. ''Ficamos na expectativa o mês inteiro por conta desse vínculo afetivo que os adolescentes tinham com o pessoal antigo'', revelou. Por outro lado, ela elogiou o treinamento recebido pelos novos educadores que possibilitou que não houvesse vítimas, tanto entre os internos quanto entre os funcionários, nem grandes danos ao patrimônio. ''A unidade está muito bem preparada para este tipo de situação'', concluiu a promotora.
A última rebelião registrada no Educandário foi em dezembro do ano passado. Neste ano, porém, foram registradas duas fugas: um interno fugiu em abril e outros quatro conseguiram escapar em junho. A unidade tem 57 vagas e abrigava ontem 52 adolescentes.

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