Adolescentes estão mais violentos
Arquivo FolhaProfessora mostra facão encontrado com estudante dentro da sala de aulaEspecialistas concordam que está aumentando o número de crimes e atos violentos cometidos por adolescentes. Prova disso são os dois cursos que estão sendo oferecidos pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Com os temas ‘‘melhora do relacionamento com adolescentes’’ e ‘‘especialização em adolescência’’, os dois visam facilitar a relação entre os filhos, pais e a sociedade, que segundo psicólogos, psicoterapeutas e pedagogos, estaria ‘‘sem limites’’.
‘‘A maioria das pessoas prefere colocar a culpa nos jovens, dizendo que eles mudaram e ficaram mais agressivos’’, explica a professora Paula Gomide, coordenadora do mestrado em psicologia da infância e da adolescência da UFPR. ‘‘O que mudou em primeiro lugar não foi o jovem, e sim o comportamento dos próprios pais. Tentando melhorar o relacionamento, eles alteraram os costumes e as novas regras, que são as principais responsáveis pelo comportamento atual dos jovens’’.
Segundo a coordenadora, um dos maiores problemas enfrentados hoje pelos pais, é a falta de monitoramento das crianças. Elas têm tanta liberdade que chegam a estabelecer toda a programação da casa. Definem o local dos móveis, o cardápio e até mesmo seus próprios horários e tarefas domésticas. ‘‘Os pais dão as regras do jogo, mas sem pressão’’, diz Paula. ‘‘Se preocupam com porcarias, como o pé sujo no tapete e o ‘piercing’, mas não punem uma nota baixa ou uma rebeldia. Compram a bicicleta prometida, mesmo que o filho não passe de ano. E com isso, acabam perdendo a autoridade. Por isso o jovem fica violento e delinquente’’.
Geração hippie - A opinião é compartilhada por outros especialistas da área, que citam como principal exemplo deste ‘‘descontrole’’ da situação, os filhos de pais que viveram a chamada revolução hippie. Como eles quebraram regras rígidas, impostas por seus pais, hoje não conseguem mais exigí-las dos filhos.
‘‘Eu costumo dar muitas palestras para os pais que têm filhos em escolas particulares’’, conta a psicopedagoga, Isabel Parolim. ‘‘E a gente nota muito que os pais que vieram desta geração estão bem perdidos. Têm filhos agressivos, rebeldes, e não sabem se têm o direito de exigir deles um comportamento diferente. Digo para eles que é ruim se tudo for não, mas que também é ruim se tudo for sim’’.
De acordo com a psicopedagoga, o que deve existir é uma espécie de equilíbrio, principalmente quando se leva em conta que a crise de valores é dos pais e não dos adolescentes. ‘‘É fácil jogar a culpa na televisão, no vídeogame, na turma de amigos, mas se a minha filha é mal construída, eu é que tenho que rever as minhas regras’’.(V.A.)

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