Adolescentes e adultos que se prostituem estão entre excluídos Ney de SouzaProstituição em Foz do Iguaçu: adolescentes e mulheres entre as preocupações da Igreja na Campanha da Fraternidade Emerson Dias De Foz do Iguaçu Especial para a Folha Foz do Iguaçu é conhecida nacionalmente como uma das cidades com maiores índices de prostituição. Apesar disso, não existem levantamentos ou números que mostrem a quantidade de homens, mulheres e crianças que trabalham nas ruas, boates e até mesmo em hotéis, tanto do lado brasileiro quanto em cidades argentinas e paraguaias. A ‘‘exportação de menores prostitutas’’, assunto novo para os olhos e ouvidos dos paranaenses que vivem em outras regiões do Estado, já é uma atividade bastante lucrativa na fronteira desde os anos 80. Mas somente agora começa a ser investigada por grupos e entidades que defendem os direitos humanos (a prostituição de meninos de rua no Paraguai e de garotas em boates argentinas, por exemplo, foi denunciada pela Folha em dezembro de 1999). Integrantes do Conselho Tutelar de Foz acompanharam vários casos em Ciudad del Este (Paraguai) e Puerto Iguazú (Argentina) no ano passado. No lado brasileiro, além de denúncias de abuso sexual e corrupção de menores, existem também informações alarmantes sobre a quantidade de jovens se prostituindo em hotéis e pensões da cidade (veja quadro). Mas para a conselheira Fátima Rejane Dalmagro, apesar da imagem de cidade ‘‘que vive no limite’’ ser usada com frequência pela imprensa de todo o País, é necessário que os veículos de comunicação avaliem também tudo que está sendo feito para que estas crianças e adolescentes saiam das ruas. ‘‘Se existem muitos casos em Foz é porque eles são divulgados e denunciados. É importante lembrar que todos as denúncias foram ou estão sendo resolvidas pelo Conselho Tutelar’’, disse. Ela acha que os verdadeiros excluídos do Brasil são os sem-emprego e os que praticam pequenos furtos para comer. ‘‘Por incrível que pareça, para algumas mulheres a prostituição acaba sendo uma opção mais sensata que o roubo ou qualquer crime bárbaro, infelizmente’’, comentou outro conselheiro.