Adolescentes desprotegidos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Wilhan Santin<br>Reportagem Local 
Sexo sempre é assunto em rodas de conversa de adolescentes. Na internet, não faltam sites, comunidades ou e-mails sobre o tema. Porém, apesar desta aparente facilidade de informação, os jovens reconhecem que a maior parte do que andam lendo e ouvindo sobre sexualidade não se aproveita. Precisamos saber mais, reinvidica Lucas, 15 anos, estudante de Londrina.
O adolescente tem razão. Prova disso é uma pesquisa realizada na cidade, que ouviu 480 meninas com idades entre 10 e 20 anos, encomendada pelo ginecologista e terapeuta sexual Calvino Coutinho Fernandes, revelando dados alarmantes sobre a sexualidade das adolescentes.
De acordo com os dados levantados pelo Centro de Educação e Pesquisas Cândido Portinari, as meninas estão começando a vida sexual muito cedo: 29,5% das entrevistadas tiveram a primeira relação sexual antes dos 16 anos. No geral, 38,5% das jovens afirmaram já ter perdido a virgindade. Contudo, o dado mais grave expresso na pesquisa mostra que somente 29,8% das moças que revelaram ter vida sexual ativa sempre utilizam preservativos; 49,8% responderam nunca ter utilizado; 11,7% só utilizam às vezes e 8,7% fazem uso da camisinha com certa frequência.
A sexualidade precoce resulta em sérios problemas para as adolescentes, como a também precoce gravidez. Das 3.622 mulheres que deram à luz na Maternidade Municipal de Londrina em 2008, 720 tinham entre 16 e 19 anos; 71 tinham 15 anos ou menos. Tão grave quanto a gravidez precoce são as doenças venéreas. Das mulheres entrevistadas, 15,5% já tiveram alguma doença sexualmente transmissível.
Fernandes se mostra preocupado com os dados levantados, mas não surpreso. Ele afirma que o grande estímulo sexual exercido pelos meios de comunicação pesa muito sobre os adolescentes e influencia estes jovens a procurem o sexo. Junta-se a isso o fato de os laços familiares estarem mais frouxos ou inexistentes. A falta de afetividade, com pais e mães não dedicando tempo aos filhos, faz com que eles procurem suprir essa carência de alguma forma. O jovem que se sente amado, valorizado e que percebe que os pais lhe impõem limites porque o amam, não vai procurar o sexo precocemente. Às vezes, o jovem busca na rua os limites que não tem em casa, explica o médico.
Em relação à gravidez precoce, Fernandes comenta que na maioria das vezes as meninas não utilizam métodos anticoncepcionais porque precisam fazer com que fique a impressão de que o sexo foi casual e não planejado. Para a menina, utilizar a pílula é o mesmo que desvirginar a cabeça. E como ela não quer assumir que planejou a relação sexual, a camisinha também não se faz presente, destaca.
O que fazer diante desse quadro? Para o médico, somente um envolvimento afetivo do adolescente, que deve passar por um processo educativo e de um despertar de atitudes, é que pode dar resultados. Temos que buscar caminhos para resgatar a educação sexual dos nossos filhos. A sociedade precisa se envolver com isso. Na maioria das nossas escolas, por exemplo, a educação sexual é praticamente inexistente, observa Fernandes.


