Adolescentes armados fazem seis reféns e aterrorizam
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sexta-feira, 20 de julho de 2001
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
Seis funcionários de uma empresa que comercializa resíduos de carne foram tomados como reféns numa tentativa de assalto em Londrina. Um grupo de grupo de adolescentes armados entrou na empresa no final da tarde de ontem e manteve as vítimas sob mira de armas por 40 minutos.
Dois funcionários que conseguiram fugir pelos fundos do prédio, através do telhado, chamaram a Polícia Militar. Poucos minutos depois a empresa foi cercada por viaturas e dezenas de policiais civis (incluindo três delegados) e militares.
A movimentação chamou a atenção de moradores vizinhos, principalmente do Jardim Nossa Senhora da Paz, bairro da zona oeste onde fica a Favela da Bratac, reduto dos infratores envolvidos na tentativa de assalto. O grupo de curiosos chegou a ameaçar os menores de linchamento.
Temerosos com o nervosismo dos assaltantes, alguns reféns começaram a demonstrar sinal de pânico e choraram compulsivamente. Como represália, levaram pontapés, tapas no rosto e foram ameaçados de morte caso alguém não entregasse logo o dinheiro do caixa. Segundo a polícia, o dinheiro da empresa estava todo depositado no banco.
Os adolescentes não se entregaram com a chegada da polícia e ameaçavam matar o faxineiro Cristiano Balduino Farias, de 14 anos, que permaneceu com um revólver calibre 38 encostado em sua cabeça durante 15 minutos. Senti muito medo. Achei que ele ia atirar e eu ia morrer, disse. Após intensas negociações com a polícia, os menores J.A.S., 15 anos, W.F.0., 14, e A.S., 12, entregaram as armas, foram detidos e encaminhados ao Centro Integrado de Apoio ao Adolescente Infrator (Ciaadi), onde ficarão apreendidos até que o Conselho Tutelar se pronuncie. Para se entregar, os menores solicitaram a presença da imprensa e a garantia que não sofreriam maus-tratos dos policiais. Todos os envolvidos no assalto já apresentavam antecedentes por furto.
Segundo a secretária Vanessa Maria da Silva, de 20 anos, uma das vítimas mais abaladas emocionalmente, os assaltantes embora nervosos pareciam ter planejado o crime. Eles não eram amadores e dominaram a situação com facilidade, mas estavam transtornados, relatou.
Foi o maior sufoco da minha vida, disse o ajudante José Roberto Lalau, de 40 anos, o primeiro a ser abordado pelos menores quando estava fechando o portão da empresa, após a passagem de um caminhão carregado. Foi o primeiro assalto contra a Ipê Distribuidora de Carne.


