Cerca de 12 horas e um trabalho minucioso do médico especialista em microcirurgia Edson Kenji Takaki devolveram ao adolescente Adriano Marcon, de 15 anos, o antebraço esquerdo que havia sido ''arrancado'' por uma centrífuga. O reimplante foi feito na madrugada de ontem, no Hospital Evangélico em Londrina.
O acidente aconteceu aonteontem, na lavanderia de um albergue, em Maringá. Marcon teria tentado retirar uma peça da centrífuga que estava emperrando a máquina, quando ela voltou a funcionar. Ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e teve o antebraço decepado mantido resfriado, em condições que permitiram o reimplante.
Ele explicou que o antebraço sofreu um movimento de rotação antes de ser arrancado, o que causou esmagamento de parte dos músculos, separação das articulações do cotovelo e rompimento dos tendões e dos nervos. ''Para se ter uma idéia da gravidade da lesão, parte dos tendões ficaram enrolados no cotovelo e ele perdeu 15 centímetros dos três principais nervos da região.''
Durante a microcirurgia, o primeiro passo, segundo o médico, foi de fixar os ossos através de cruzamento de pinos. Depois foram reconstruídos os ligamentos, músculos e tendões, que são responsáveis pelos movimentos de flexão e extensão. Os tendões, explicou Takaki, foram fixados nos ossos com fios microscópicos com diâmetro cerca de 40 vezes menor que um milímetro. Toda a cirurgia foi feita com microscópio que amplia em 40 vezes o objeto manipulado.
A veia safena foi retirada da perna para reconstrução de uma veia e de uma artéria, que garantiram o restabelecimento da circulação no membro reimplantado. ''Em mais de 12 horas não houve problemas circulatórios e isso é um bom sinal'', disse o médico, apesar do paciente ainda correr risco de infecção porque ficou cerca de 12 horas com a ferida aberta.
O jovem deve permanecer mais dois dias no Centro de Tratamento Intensivo (CTI) e 10 dias no hospital. Segundo o médico, dentro de três a quatro semanas os pinos serão retirados e ele poderá movimentar o braço. A sensibilidade nas mãos só será recuperada depois de uma cirurgia para enxerto de nervos, que deverá ser feita em três ou quatro meses. Ele explicou que o paciente deverá fazer fisioterapia e ser acompanhado periodicamente. ''É o tipo do paciente que daqui a 10 anos eu vou ver ainda.''

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