Fabiane de Souza Araújo é dessas adolescentes que não nasceram em berço de ouro, mas têm uma riqueza que ninguém pode lhes tirar: o talento. Aos 14 anos, ela cursa a 6 série do ensino fundamental, nunca teve aulas de desenho e nunca pôde entrar em uma loja de grife para comprar roupas. Mas sua imaginação é um campo fértil, de onde brotam diariamente pelo menos 10 novos desenhos diferentes. São garotas de corpos esculturais, cobertos de roupas coloridas e cheias de detalhes, nunca formais. Cada folha de papel em branco que ganha vida nas mãos de Fabiane embala o grande sonho de ser estilista.
A mãe, diarista, não tem condições de ajudá-la. A esperança da garota responde pelo nome de Vitor Batista Pedro, um topógrafo vizinho da família que há anos se encanta com os traços de Fabiane, e que agora busca recursos para que ela faça um curso na área. ''Fui atrás de alguém para ensiná-la lá na UEL (Universidade Estadual de Londrina), onde trabalho, mas não deu certo. Agora estou vendo um curso particular de qualificação básica em estilismo, mas custa R$ 108,00 por mês e mais o material.''
Vitor se propõe a custear a lista de materiais, que inclui tecido, linhas, papel, tesoura, carretilha, agulhas, entre outros. Mas não tem como bancar o pagamento da mensalidade. ''Quero achar alguém que ajude, porque acredito no potencial da Fabiane. Todo mundo que vê os desenhos dela fica admirado. Tudo o que eu puder fazer para ajudar vou fazer'', afirma.
Fabiane, por sua vez, conta como o desenho faz parte do seu dia-a-dia. ''Às vezes estou fazendo outra coisa, ajudando minha mãe, e quando vejo, estou parada, pensando em um novo desenho. À noite fico desenhando em frente à TV, e perco a noção da hora.'' Ela diz que sempre que vê uma roupa que gosta, procura memorizar para depois reproduzi-la, mas nunca sai igual. ''Eu sempre acrescento um detalhe aqui, outro ali. E também não consigo, por mais que tente, desenhar essas mulheres magrinhas que os estilistas fazem.'' De fato, as personagens de Fabiane são voluptuosas, com quadris e seios fartos.
As roupas são aquelas que a adolescente sonha em vestir. Na impossibilidade de comprá-las, desenha. ''Eu ajudo uma vizinha, trazendo as filhas dela da escola, e ela me paga R$ 20,00 por mês. Quando sobra um dinheiro, compro revistas de moda para ficar por dentro das tendências'', explica. Os materiais de trabalho não incluem grafites nem canetas especiais. ''Compro estes lápis de R$ 0,70 mesmo, e depois passo a caneta (esferográfica) e pinto'', diz a garota, que acredita ter herdado do pai que não mora mais com a família há mais de 10 anos o dom de desenhar.
Serviço: Interessados em ajudar Fabiane a fazer um curso de desenho podem estrar em contato pelo fone (43) 3329-4773.

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