Adolescente que matou empresário está solto
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2005
Lúcio Flávio Moura<br> Reportagem Local 
Cambé - ''É claro que a gente fica revoltada. Na minha família, ninguém pode concordar com uma coisa desta''. O desabafo é da aposentada Rita Del Pizzol Sinzker, de 75 anos, que há quase seis meses faz tratamento psiquiátrico e que todas as noites toma remédio para dormir. Rita é mãe do empresário apucaranense Paulo Miguel Sinzker, 48 anos, sequestrado e depois morto com dois tiros no rosto em um sítio de Cambé, no dia 14 de julho do ano passado.
A mãe, que ainda se emociona quando fala do crime, não se conforma com a soltura do adolescente de 15 anos, um dos cinco envolvidos no latrocínio que abalou a cidade de Apucarana, onde Sinzker era muito popular.
O garoto que passou uma curta temporada no Ciaadi de Londrina estava detido havia seis meses na delegacia de Cambé. Segundo o inquérito policial, ele atirou cinco vezes em Ana Kozan, de 76 anos, sogra que estava com o empresário no momento do sequestro.
No dia 5, o advogado do adolescente conseguiu um habeas-corpus no Tribunal de Justiça. A soltura aconteceu por causa de ''excesso de prazo'', jargão jurídico que significa que o processo não ficou pronto no prazo legal. A Folha apurou que o processo que está tramitando na Vara da Infância e Juventude de Cambé deve ser concluído apenas no final de fevereiro. O adolescente deve receba a medida sócio-educativa mais rigorosa, que é de três anos de reclusão (se fosse maior de idade, a pena para latrocínio variaria de 20 a 30 anos de prisão)
O delegado de Cambé, Valdir Abrahão, lamentou que o adolescente esteja em liberdade. ''Fico entristecido, principalmente pelos familiares da vítima. Pela gravidade do crime, todos esperavam que ele ficasse mais tempo preso. Mas acredito que em pouco tempo ele estará em nossas mãos'', afirmou o delegado.
A polícia considera um adolescente como um criminoso de alta periculosidade. Durante o período em que esteve em uma cela na Delegacia de Cambé, ele teria cometido outro homicídio. O adolescente assumiu a autoria do assassinato de Cristiano da Silva, de 17 anos (seu colega de cela), no dia 20 de setembro. Segundo laudo do IM, Silva morreu asfixiado com fios elétrico. Antes, o rapaz foi torturado com choques, pontas de cigarro e plástico derretido.


