Adolescente preferia lata de thinner a colônia de férias
Adolescente preferia lata de
thinner a colônia de férias
O garoto C.R.A., de 17 anos, tinha as mãos trêmulas. Não era medo, mas os primeiros reflexos de uma crise de abstinência. Ele queria cheirar thinner. O solvente tinha sido encharcado numa luva usada por C. que foi tomada pelos policiais. C. não se encaixa no perfil de um menino de rua. Com roupas da moda - bermuda, tênis, camiseta de surfista e boné -, seria confundido com um adolescente qualquer. Durante a reportagem no Regimento de Polícia Montada, C. abordou o repórter da Folha.
C.R.A - Você é psicólogo?
Folha - Não, sou repórter. Por quê? Qual é o seu problema?
C.R.A - Tenho pensado muitas coisas que nunca achei que iria fazer. Às vezes penso em me matar. Estou sem minha luva, sem o thinner. Dá uma depressão grande. Ninguém me entende.
Folha - Como as drogas chegaram até você?
C.R.A - Tinha nove anos quando comecei a cheirar cocaína.
Folha - Onde estão os seus pais?
C.R.A. - Os pais? Sem idéia.
Folha - Você gostou daqui?
C.R.A - Quero sair. Quando sair daqui, é só alegria. Se tivesse uma lata de thinner agora, daria toda a minha roupa, até o meu boné, que eu gosto mais.





