Curitiba - Um adolescente curitibano morreu e um educador ficou ferido durante uma rebelião de internos do Educandário São Francisco, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. A rebelião durou seis horas. Os internos exigiam a transferência de Piraquara para os municípios de Foz do Iguaçu e Cascavel. ''A época é de Natal, período em que os internos querem ficar mais perto da família'', explicou a diretora da unidade de internação socioeducativa, Solimar Gouvea.
A rebelião iniciou por volta das 21h30 e terminou às 3h30. Dezesseis internos do chamado ''seguro'' (que ficam isolados porque são jurados de morte) lideraram o motim, fazendo o educador de refém. O educador ficou na mira de estoques (feitos com ferros de grades). Os internos dominaram a ala B do educandário e soltaram 79 internos - quebrando grades e cadeados. A unidade ficou sem controle. ''Eles estavam calmos até aquele momento. Foram dominados pela agitação e pela revolta dos demais. Eles queimaram colchões, quebraram grades e cadeados, fizeram buracos nas paredes'', relatou Solimar.
Como são jurados de morte, os adolescentes evitaram confronto com os demais internos. Um adolescente tentou fugir do motim e acabou sendo morto com uma estocada pelos demais. Até ontem, a única informação era a de que a vítima tinha 16 anos e era de Curitiba. Familiares ansiosos aguardavam na frente da unidade a identificação do garoto. Nenhum dos segurados era considerado de alta periculosidade. ''Os meninos eram de periculosidade média. Esse fato foi isolado e ocorreu por uma demanda interna dos próprios adolescentes que queriam ser transferidos. Foi uma forma de pressionar a instituição - que não tem histórico de maus tratos ou de tratamento inadequado dos internos'', avaliou a promotora Flávia Regina Lemos, do Ministério Público (MP) de Piraquara.
Durante a rebelião, outros seis educadores foram feitos reféns, mas não foram feridos. O único ferido (que cuidava dos segurados) foi encaminhado ontem cedo para o Hospital Angelina Caron, em Campina Grande do Sul (RMC). Todos os educadores envolvidos na rebelião receberão tratamento psicológico. ''Eles ficaram sob ameaças por um longo período de tempo. Precisam de atenção especial'', disse Solimar.
A ala onde ocorreu o motim foi isolada e deverá ser restaurada nas próximas horas. Provisoriamente, 40 policiais militares permanecem na unidade para auxiliar na guarda interna dos meninos. Os rebelados estão provisoriamente instalados em salas-de-aula.
Não houve negociação e os internos rebelados não deverão ser transferidos. O Educandário São Francisco tem capacidade para 150 internos. Ontem, 170 internos permaneciam na unidade. Cem educadores fazem escala para atendimento dos adolescentes em regime de internação.
Recente estudo feito sobre o perfil dos meninos revelou que 67% dos internos cometeram delitos contra o patrimônio (roubo, latrocínio, furto qualificado), 92,3% têm família, 47,1% têm 17 anos, 56,7% estudaram até a fase ginasial, 49,7% já usaram drogas e 33,7% são usuários. A taxa de reicidência entre os adolescentes é de 22%.

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