Adolescente morre ao ser atingido por raio
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terça-feira, 07 de outubro de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O estudante Jonatas Héber Morais, 16 anos, tinha o sonho de se tornar um piloto de avião, mas o projeto foi abortado no início da tarde de ontem durante a chuva que atingiu Londrina. Pouco depois das 14 horas, o adolescente foi atingido por um raio e morreu em seguida, enquanto era atendido pelos socorristas do Siate. Os moradores se revoltaram pois acreditam que as torres de telefonia estariam atraindo as descargas elétricas para a região.
Segundo vizinhos que acompanharam o resgate, Jonatas comentava sempre que queria pilotar aviões e, por isso, estaria observando a chuva em cima de um muro nos fundos da residência da família, na Rua Flor de Alpes, no Parque Ouro Branco (zona sul). Um morador comentou que, assim que a chuva começou, ouviu um barulho como se fosse uma grande explosão. Jonatas teria se segurado em barras de ferro do muro e estaria usando apenas chinelos no momento do choque.
Ele recebeu a descarga elétrica e sofreu uma parada cardiorespiratória. Os socorristas do Siate tentaram reanimar o adolescente mas não conseguiram estabilizar suas funções vitais. O médico responsável pelo atendimento, Gustavo Queiroz, explicou que Jonatas recebeu uma descarga de voltagem muito grande que atingiu os ombros e provocou sérias queimaduras. O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico-Legal e liberado no início da noite.
Chocados com a tragédia, os familiares não deram declarações. Já os moradores se revoltaram contra as torres de telefonia instaladas no bairro. No Parque Ouro Branco, existem pelo menos três torres sendo que uma delas fica a cerca de 100 metros do local onde o adolescente foi atingido. A vizinha de Jonatas, Maria Clarice Oliveira, reclamou que os moradores já fizeram até abaixo-assinado pedindo a retirada das torres.
De acordo com ela, depois que os equipamentos foram instalados os raios começaram a atingir o bairro com maior frequência. Muitos moradores já tiveram aparelhos eletroeletrônicos estragados por conta das descargas.
O engenheiro da Sercomtel, Hans Muller, afirmou que a empresa, assim como as demais que exploram o setor, tem torres no Parque Ouro Branco mas garantiu que os equipamentos seguem rigorosamente as normas definidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Ele explicou que as torres atraem descargas elétricas por causa da altura. Por outro lado, lembrou que funcionam como meio de proteção, pois possuem pára-raios e um sistema de aterramento dos fios. Ele alertou que a melhor coisa a fazer durante uma tempestade é se abrigar e desligar os aparelhos eletroeletrônicos das tomadas.
A assessoria da Vivo, outra empresa de telefonia que segundo moradores possui torres no bairro, informou que possui torre na região mas que os raios ''dependem exclusivamente das condições geográficas e climáticas do local, ou seja, as torres não criam descargas''. A empresa também esclareceu que a base possui pára-raios.


