Adolescente é morto pela PM com sete tiros
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quarta-feira, 31 de março de 2004
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Uma ação do Pelotão de Choque (Rone) da Polícia Militar (PM) de Londrina, anteontem à noite, resultou na morte do adolescente Marcelo Cléber Pires, de 15 anos, com sete tiros de pistola na região toráxica. De acordo com o sargento-adjunto Antonio Carlos Marinho, Marcelo e um outro rapaz, possivelmente também menor, teriam assaltado uma residência no Conjunto João Paz (Zona Norte), por volta das 21h30. Eles estariam armados com revólver e pistola. Segundo o PM, depois de render os moradores, a dupla fugiu levando R$ 10,00 em dinheiro na moto de uma das vítimas.
Acionada, uma viatura da Rone começou a perseguição à dupla, que terminou com a queda da moto. ''Um dos rapazes conseguiu fugir em direção à Avenida Winston Churchill; o outro, seguindo rumo ao Terminal Ouro Verde, foi acuado pelos policiais, mas não quis se render'', relatou Marinho. Como Marcelo supostamente teria apontado a arma para os PMs, eles atiraram.
No velório realizado em sua casa, no Conjunto Aquiles Guimarães, também na Zona Norte, a família do menino estava revoltada com a forma de agir dos policiais. ''Quero a punição dos responsáveis. Não podiam ter dado um tiro apenas para imobilizá-lo, em vez de sete?'', questionou o avô da vítima, o pedreiro José Alves de Oliveira, de 58 anos. A avó de Marcelo, a aposentada Aparecida Reis de Oliveira, 67, também não aceitou a explicação da polícia. ''Estou arrasada. É uma injustiça tirarem a vida de um jovem de 15 anos, dessa forma, seja qual for a justificativa'', desabafou. O enterro será hoje às 8h30, no cemitério Jardim da Saudade.
Para o comandante do Pelotão de Choque do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina, tenente Marcelo Israel Vieira, a ação foi ''técnica, correta e legal''. De acordo com ele, a quantidade de tiros, disparada por três policiais, se deve às condições do local e da situação. ''Havia mato e estava escuro lá, e quando um PM viu que o Marcelo poderia acertar o outro, atirou'', alegou. O revólver do adolescente foi levado para perícia intacto. ''Mesmo assim, abriremos inquérito para apurar se o procedimento adotado foi mesmo o padrão'', adiantou o tenente.


