A violência em forma de pólvora impediu que mais um londrinense atingisse a maioridade. Foi na primeira hora da madrugada de ontem: Daniel Aparecido Galindo, 16 anos, que respondia pelo apelido de ''Dentinho'', foi alvejado por pelo menos cinco tiros e caiu morto na Rua Mário Gobo, Conjunto José Maurício Barroso (Zona Norte).
Um desfecho ironicamente trágico para quem havia ido visitar a namorada no domingo dedicado aos casais. A informação foi passada por testemunhas ao delegado de plantão da 10 Subdvisão Policial (SDP), Jayme José de Souza Filho, mas a namorada não foi localizada. Próximos a Daniel, foram encontrados apenas uma motocicleta e um capacete.
''A moto estava tombada no meio-fio, na esquina das ruas Mario Gobo e José Vargas. O corpo da vítima foi encontrado a 30 metros, com cinco a seis marcas de tiros na nuca, peito e perna'', especificou Souza Filho, que também é responsável pela Delegacia do Adolescente. Há indícios de que um número ainda maior de tiros tenha sido disparado. Dois projéteis de arma de fogo foram achados na esquina e uma residência próxima continha marcas de tiro no muro.
O delegado da 10 SDP checou a procedência da motocicleta e disse não ter encontrado irregularidades. O veículo teria sido emprestado por um amigo a Daniel, para que este visitasse a namorada. O adolescente morava com os pais no Conjunto Eucaliptos (Zona Norte).
Moradores próximos ao local do crime relataram à polícia que ''uma gritaria'' antecedeu a série de tiros. Ninguém admitiu conhecer a vítima. De acordo com Souza Filho, parentes de Daniel que compareceram ao local negaram que ele tivesse envolvimento com drogas, o que mais tarde foi desmentido pelos próprios pais do jovem. A vítima tinha um registro de internamento no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) há dois anos, mas o delito não foi especificado.
Dos 73 homicídios cometidos de janeiro deste ano até ontem em Londrina, 16 vitimaram adolescentes, aproximadamente 22% do total. Nos últimos anos, menores de 18 anos têm correspondido a uma parcela cada vez maior dos assassinados na cidade. Em 2003, os adolescentes representaram 12% do total de vítimas. No ano passado, eles foram 19,5% das vítimas - 35 dentre os 183 homicídios registrados no período.

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