Adolescente é flagrado com 38 kg de maconha
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 19 de julho de 2005
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
Um adolescente de 16 anos foi detido ontem pela Polícia Rodoviária Estadual de Rolândia (25 km a Oeste de Londrina) com 38 kg de maconha. Ele foi flagrado em um ônibus de transporte rodoviário durante a madrugada, quando viajava de Maringá para a capital do Estado de São Paulo. O jovem soma-se a outros 24 adolescentes já detidos por envolvimento com o tráfico de drogas este ano, número avaliado pela presidente do Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Cristina Coelho, como ''assustador, expondo que as políticas públicas de combate a este tipo de crime não estão atingindo os objetivos esperados''.
O flagrante foi divulgado na manhã de ontem pelo delegado-chefe da PF, Sandro Viana dos Santos. Segundo ele, a droga foi localizada com a ajuda de Rink, um cão farejador, no bagageiro do ônibus, embalada em 36 tabletes e escondida em uma mala. ''O adolescente confessou a posse da droga. Ele vinha de São Paulo e tinha viajado até Guaíra. De lá, foi para Toledo, onde pegou a droga e seguiu para Maringá. A viagem seguiria de volta para São Paulo. Ele contou também que recebeu R$ 100 pelo serviço e que os traficantes eram da capital paulista'', disse o delegado.
O uso de jovens para o transporte e venda de drogas é uma prática comum. Uma das hipóteses é acreditar que o Estatudo da Criança e do Adolescente (ECA) confere uma suposta impunidade aos envolvidos. Do total de pessoas detidas por envolvimento por tráfico na cidade este ano, 25 são adolescentes. Uma das últimas cinco grande apreensões registradas pela PF, por sinal, envolveu três jovens. Nas histórias contadas em depoimentos, a participação no tráfico confunde-se, na maioria absoluta das vezes, com flagrantes de roubos, furtos e homicídios. ''É um dado assustador. Demonstra que estamos pecando em alguma coisa e não estamos conseguindo tirar estas crianças das ruas'', afirmou Cristina.
''As políticas públicas para a criança e o adolescente não devem ter o alcance esperado. Precisamos estender esta discussão e integrar todos os setores envolvidos'', continuou Cristina. Ela também destacou o trabalho da polícia nas apreensões, mas fez uma ressalva. ''As autoridades, com certeza, apertaram o cerco contra o tráfico, o que se refletiu em aumento de apreensões. Isto é muito bom. Por outro lado, precisamos intensificar também o trabalho em cima das pessoas que estão aliciando estes menores'', afirmou.


