Adolescente é executado com 15 tiros
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quarta-feira, 01 de maio de 2002
Maranúbia Barbosa<BR>Reportagem Local 
O adolescente Rodrigo dos Santos Luciano, 17 anos, foi executado ontem com pelo menos 15 tiros de pistola, no Assentamento Maracanã, zona oeste de Londrina. O corpo foi encontrado de manhã em um matagal no fim de uma rua, mas os policiais que atenderam a ocorrência acreditam que ele foi assassinado em outro local. De janeiro até agora foram registrados 42 assassinatos, numa média de uma morte a cada 66 horas. Mais de 70% das vítimas tinham menos de 21 anos de idade. Autoridades ligadas ao atendimento de menor infrator suspeitam da ação de grupos de extermínio ligados ao tráfico de drogas.
A irmã de Luciano, Fernanda dos Santos, 21 anos, relatou que anteontem, às 22 horas, escutou o barulho de vários tiros na rua. Ao sair da casa, ela viu o irmão gritando por socorro, como se tivesse sido atingido por uma bala. Sete cápsulas deflagradas foram achadas perto da casa da vítima. Ele correu para o mato e nós não conseguimos encontrá-lo, afirmou, dizendo que contou com a ajuda de familiares e amigos. As balas atingiram principalmente a região das costas dele. Luciano faria 18 anos no próximo dia 11.
Ainda segundo Fernanda, o irmão tinha envolvimento com traficantes de droga que atuam na região oeste. Ela afirmou que Luciano era usuário de maconha, mas não soube dizer se ele tinha passagem pela polícia. O delegado de Polícia Civil Algacir Ramos esteve no local do crime e afirmou que as execuções de jovens parece mesmo estar relacionada ao tráfico de drogas.
Em entrevista recente à Folha, a promotora da Vara da Infância e Juventude, Edina Maria Silva de Paula, declarou que, apesar da falta de provas, os adolescentes, especialmente aqueles que cometeram atos infracionais, estão sendo mortos por gangues de extermínio.
Outro assassinato aconteceu na noite de anteontem, por volta das 23 horas, no Jardim Leonor (zona oeste). O desempregado Cícero Laurindo Pereira, 39 anos, foi morto com dois tiros quando chegava em casa, na Rua Pinheiros. A esposa de Pereira, Edna Gonçalves, disse à polícia que estava nos fundos da casa quando ouviu dois disparos. Ela saiu correndo para ver o que estava acontecendo e encontrou o marido morto na entrada da residência. Segundo as informações de Edna, enquanto socorria Pereira, uma motocicleta saiu em alta velocidade, mas não soube especificar as características do veículo. (Colaborou Telma Elorza)


