Quando foi apreendido ontem pela manhã em frente ao Centro Comunitário do Conjunto Novo Amparo (zona leste de Londrina), o menor T.R.S., de 16 anos, usava apenas uma bermuda. Franzino, com alguns dentes quebrados, de pele e cabelos claros, o garoto foi detido por dois investigadores da Divisão de Furtos e Roubos da 10 Subdivisão Policial (10 SDP), sob suspeita de participação em inúmeros assaltos a ônibus registrados nas proximidades do bairro nos últimos dias.
Na delegacia, o garoto foi reconhecido por motoristas e cobradores da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) como sendo o autor de pelo menos oito roubos. Ele também já teria atacado ônibus da Francovig, outra empresa que atua no transporte coletivo na cidade.
Diante do delegado-adjunto da 10 SDP, Jurandir Gonçalves André, o adolescente confessou sua participação e contou que é viciado em crack. Para intimidar os funcionários e passageiros, ele usava uma faca e contava sempre com a ajuda de uma garota, também de 16 anos, identificada como D.P.S. Apenas na manhã de ontem, a dupla praticou dois assaltos na linha que percorre o Conjunto Farid Libos (zona norte) e conseguiu R$ 67,50 em dinheiro e alguns passes. Depois que soube que o comparsa havia sido preso, a menor, que usava um corte de cabelo estilo moicano, raspou a cabeça, de acordo com a polícia. Ela não havia sido localizada até o início da noite.
Segundo os investigadores que detiveram o menor, José Maria Silveira Belini e Clark Kotarski, ele não esboçou reação. Belini revelou que T. não tem família e que ''mora de favor'' na casa de amigos.
Em entrevista à Folha, T. confessou os dois assaltos de ontem mas negou os demais. Ele afirmou que usava o dinheiro do crime para comprar droga. Quanto à sua ficha policial, o menor disse que foi apreendido inúmeras vezes no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) sob acusação de assalto. ''Já perdi as contas'', comentou sem acrescentar mais nada.
O delegado acredita que o menor teve participação em diversos roubos na região do Novo Amparo. André declarou que, em virtude da extensa ficha de T., iria representar pelo seu internamento. Caso o pedido seja acatado, ele deverá seguir para o Educandário São Francisco, em Curitiba.
Um cobrador da TCGL, que preferiu não se identificar, reconheceu o menor como sendo o autor de três assaltos contra o ônibus no qual trabalhava. Conforme o funcionário, todas as ações aconteceram à noite, no mesmo ponto e da mesma forma: ''Ele ou a garota davam sinal, anunciavam o assalto e, normalmente, ele ficava na porta com a faca e a garota recolhia o dinheiro.'' Outra vítima da dupla contou que, certa vez, o menor disse que ''sua especialidade era assaltar ônibus e só iria parar se fosse morto.''

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