Adolescente é encontrado morto
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sexta-feira, 26 de setembro de 2003
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba A sensação de insegurança aumenta cada vez mais no bairro Cajuru, em Curitiba. Mais um adolescente foi encontrado morto na noite de quinta-feira. Ele levou um tiro na cabeça, no terreno de sua casa. Segundo a polícia, A.P.S, de 16 anos, ainda chegou a pedir socorro antes dos disparos, mas já estava morto quando sua irmã chegou ao local.
Segundo familiares de A.P.S., o jovem tinha desavenças com moradores da Vila Camargo, que poderia ser os autores dos disparos. Os investigadores da Delegacia de Homicídios trabalham com a hipótese de que a rixa poderia ter fundo passional ou ter origem no comércio de drogas.
O aumento da violência na região do Cajuru, habitada por cerca de 100 mil pessoas, tem assustado os moradores. Segundo a Polícia Civil, desde o início do ano, 37 pessoas já foram assassinados na região. No último dia 15, moradores da região chegaram a bloquear uma rua para chamar a atenção das autoridades para a situação.
Outro dado que chama a atenção é a pouca idade das vítimas de atentados a bala no Cajuru nos últimos dias. Desde o dia 13 de setembro, nove pessoas foram atingidas por disparos no bairro. Além de A.P.S, outro adolescente de 16 anos foi morto no bairro, no dia 17 deste mês. Das outras sete vítimas, que escaparam com vida, seis tinham entre 15 e 22 anos de idade.
A indignação da comunidade aumentou após uma menina de quatro anos ter sido atingida por uma bala perdida no final de julho. Segundo moradores, a causa dos tiroteios é a disputa pelo controle do tráfico de drogas entre gangues da região. O medo da violência fez com que as escolas Omas Sabbag e Durival de Brito suspendessem suas aulas no dia 19, após correrem boatos de que haveria um tiroteio entre as gangues e que um toque de recolher havia sido determinado pelos traficantes.
Para o superintendente do 6º Distrito Policial Marcos Minotto, responsável pela região do Cajuru, a atuação das gangues é superestimada. ''Não existem gangues organizadas. São uns três ou quatro malucos de uma vila contra meia dúzia de outra. Em geral, é uma molecada de 16, 18 anos disputando controle de pontos de tráfico de drogas'', afirmou Minotto.
Segundo o superintendente, as aulas nas escolas foram suspensas por apreensão dos pais, e não por uma determinação dos traficantes. ''Os pais leram as reportagens sobre tiroteios acontecidos no dia anterior e decidiram tirar seus filhos da escola. A direção achou por bem então suspender as aulas. Esse negócio de toque de recolher não vinga por aqui'', disse.
Minotto afirmou que arrastões estão sendo feitos por policiais do Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) e do Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial (Tigre) para localizar e prender os suspeitos de fazerem parte das gangues.


