Adolescente é baleado por policiais da P2
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quinta-feira, 05 de abril de 2001
Edna Mendes De Londrina 
O adolescente J.O.T., 15 anos, foi baleado com dois tiros ontem pela manhã por policiais militares durante uma operação para identificar quatro rapazes que assaltaram uma casa na noite de anteontem no Jardim Maracanã, zona oeste de Londrina. Um dos tiros atingiu o abdômen do menor que teve o fígado e um dos rins perfurados. O outro tiro atingiu um dos braços. Segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, o adolescente perdeu o rim perfurado e deve ficar paraplégico, já que o projétil se alojou na medula óssea.
A PM informou que o rapaz reagiu ao ser abordado e tentou atirar contra um dos policiais. De acordo com o Comando da PM, o adolescente já estava dentro do carro quando apontou um revólver calibre 22 contra o policial que dirigia a viatura descaracterizada. Nesse momento, o outro policial teria atirado contra o adolescente. Esta versão foi desmentida pela dona de casa Maria Grego, 45 anos, vizinha do menor e principal testemunha da abordagem policial. Ela prestou depoimento ontem à tarde na 10ª Subdivisão Policial e afirmou que a polícia prendeu o menor na casa dele, enquanto ele dormia.
Três policiais à paisana chegaram em um Fiat Uno branco e perguntaram pela mãe dele. Eu disse que ela não estava e que apenas o menino dormia dentro de casa. Eles invadiram a casa, acordaram o J., bateram nele e o levaram preso e algemado, afirmou.
Segundo Maria, os policias não disseram por que estavam levando o menor preso. Ela conta que apenas ouviu os PMs dizendo que o menor deveria devolver o que tinha roubado. O menino começou a chorar, mas mesmo assim eles o colocaram no carro e saíram correndo. A dona de casa afirma que eram três os homens que invadiram a casa e levaram o menor. A PM informou que apenas dois policias da P2, o serviço de inteligência da PM, participaram da operação. Os nomes dos policiais não foram divulgados.
A mãe do menor, Ana Otávio, 32 anos, só soube que o adolescente tinha sido baleado quando foi até a delegacia procurar por ele. Ela disse que os policias militares que trabalham no Centro de Triagem, anexo à 10ª SDP, disseram que o rapaz está sendo aberto no hospital porque levou uns furinhos. Eles tiraram meu filho de casa inteiro e me devolvem no hospital, todo machucado e baleado. Além de atirar injustamente nele, a polícia ainda me ridicularizou quando eu quis procurar pelo menino. Meu filho não tem passagem pela polícia, trabalha como balconista e nunca teve arma. Ele jamais iria reagir porque é de estatura pequena e magrinho, disse.
Ana só se convenceu que o rapaz tinha sido baleado quando viu a roupa ensanguentada no hospital. Desesperada, ela precisou ser atendida por uma psicóloga da Santa Casa. A assessoria de imprensa do hospital também informou que o rapaz chegou consciente ao Pronto-Socorro e relatou que foi vítima da chamada roleta-russa por parte da polícia. O tiro foi à queima-roupa.
A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o caso. A Polícia Militar também informou que vai investigar as circunstâncias da abordagem. A PM divulgou ainda que o menor era suspeito de ter participado do assalto porque a vítima, Cleide Alves de Almeida, o teria reconhecido.
Ontem à tarde, a polícia prendeu Valdirene Luciano, 18 anos, que estaria com o aparelho de TV que foi roubado na casa de Cleide. Além dela, também foi preso o menor W.J.S., 15 anos, que teria confirmado a participação do menor baleado no assalto. Até o início da noite de ontem o estado de saúde do menor era estável. Ele foi submetido a duas cirurgias que duraram mais de quatro horas.


