Adolescente é assassinado na Zona Oeste
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sexta-feira, 12 de novembro de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
''Queremos justiça, não podem matar nossas crianças desse jeito.'' O clamor foi das mães da Rua Pantanal (Zona Oeste de Londrina), que choraram ontem a morte de mais um adolescente. Luís Paulo Benedito, 16 anos, foi assassinado por volta das 16 horas na Rua Guaiuvira, Jardim Leonor, com quatro tiros de pistola 38 mm. O principal motivo do crime, segundo os moradores, é o de sempre: as guerras de gangues da Rua Pantanal e Jardim Nossa Senhora da Paz.
Não muito mais velhos são os autores dos disparos. Segundo testemunhas, um grupo de três adolescentes se aproximou da vítima e disparou à queima-roupa. Descoberto o crime, os vizinhos não esconderam a revolta e chegaram a dificultar o atendimento da equipe do Siate.
''Eles estava jurado de morte e não é só ele não, é um monte de meninos aqui, tem criança de 10 anos jurada'', contou, bastante nervosa uma amiga da família que não quis se identificar. Segundo ela, a vítima frequentava a escola, nunca se envolveu com drogas ou crime e foi marcada para morrer simplesmente por morar no bairro. ''Não é porque a gente mora na Pantanal que não presta'', reclama.
Revoltados com o crime, os moradores iniciaram uma reação a um adolescente detido pela Rone suspeito de envolvimento no assassinato. O jovem de 15 anos confessou participação e seu depoimento corroba a versão dos moradores. ''O motivo seria a rixa entre os bairros'', diz o delegado da 10 Subdivisão Policial, João Aquino. Outros dois menores envolvidos ainda estão sendo procurados pela polícia.
A guerra entre as gangues atingiu o auge no ano passado. No fogo cruzado entre os bairros, em setembro, um funcionário da fiação Bratac acabou morto dentro da empresa. A violência atingiu tal nível que viaturas da Polícia Militar (PM) ficavam 24 horas, uma em cada bairro. Árvores foram arrancadas para evitar a realização de tocaias e diversas pessoas foram presas. Meses depois, os moradores da Pantanal reclamam que a vida não melhorou muito.
''É tiroteio todo dia; à noite não dá para sair de casa, eles falam da gente mas é o povo do Nossa Senhora da Paz que tá matando e ameçando. Já quem poderia nos proteger está preso'', acusa outra mulher, mostrando que a guerra entre as gangues contaminou moradores.
Na tarde de ontem, esse não foi o único caso de violência registrado na Zona Oeste. Por volta das 15h30, Antônio Alves, 20 anos, foi baleado em uma viela que liga a Avenida Tiradentes à Rua Castro Alves. Ele levou um tiro no rosto e outro no braço. Segundo testemunhas, ele teria sido perseguido por dois homens a pé. O rapaz foi socorrido pelo Siate e internado no Hospital Universitário (HU).


