Adolescência: hora de novos comportamentos
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domingo, 07 de junho de 2009
Fernanda Borges<br> Reportagem Local 
Há cerca de um mês, a funcionária pública Ivone levou um susto ao tomar banho com sua filha, Ana, 9 anos, que começou a apresentar os primeiros pelos pubianos. Incomodada com a observação da mãe, a menina reclamou: Para de olhar, mãe!
As transformações no corpo de Ana têm refletido no seu comportamento diante dos pais. A família sempre teve o hábito de tomar banho junta, mas de uns dois anos para cá tem evitado evitando a prática.
Eu ainda tomo banho com ela, mas meu marido já evita ou pelo menos fica de costas para que ela não fique com vergonha. Desde pequena, nos dias de calor ela tinha o costume de sair sem roupa do banheiro, mas hoje em dia sai correndo para se trocar, comenta Ivone.
Normalmente a criança gosta de brincar no chuveiro com os pais, mas esse tipo de hábito, como tantos outros que podem desencadear o sentimento de vergonha em meninos e meninas, depende da cultura de cada família.
A psicóloga Josani Campos da Silva explica que a vergonha é característica de uma fase do desenvolvimento infantil, quando a criança já apresenta a capacidade de querer que seus pais saibam que ela tem um corpo próprio. E mais que isso, que também faz escolhas, sente e pensa. É muito importante que os pais reconheçam a seriedade com que a criança, ou o adolescente, vivencia este processo, e que sua participação é fundamental para que o mesmo aconteça de forma saudável, diz.
Segundo Josani, não há limite de idade para a interrupção de hábitos como o do banho com os pais. A mudança deve ocorrer quando pais e filhos já não se sentem mais tão confortáveis ou quando a vergonha começa a ser maior que o prazer. As diferenças sexuais já são percebidas pelas crianças desde muito cedo. Com três anos, às vezes até menos, ela já reconhece tais diferenças. E quando demonstra vergonha é porque já faz ideia de que esse é um assunto proibido, e então é preciso ganhar a confiança dos pais, explica.
Para a psicóloga Devanira Domingues Demarque, os pais que desde o início da convivência com seus filhos não se constrangem em ficar nus diante deles, colaboram para que as crianças cresçam com tranquilidade em relação às mudanças que ocorrerão em seus corpos no decorrer da maturidade. Não é o aparecimento dos pelos pubianos e nem o desenvolvimento das mamas que vai determinar o momento de mudar hábitos no relacionamento com os pais, mas sim a necessidade de a criança ter sua privacidade, diz.
Segundo a especialista, os pais devem sempre apresentar uma atitude de tranquilidade em relação ao seu corpo e ao dos filhos, e precisam responder a todas as questões. Devemos pensar que os filhos vão crescer, e é muito importante que eles saibam que seus pais sempre foram sinceros e verdadeiros nas suas informações. Isso irá facilitar o relacionamento interpessoal e afetivo dentro da família ao longo da vida. Sendo verdadeiros, os pais mostrarão que a verdade é algo muito válido e importante nos relacionamentos, finaliza.


