Adolescência em foco
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segunda-feira, 26 de março de 2012
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
Uma queixa comum entre pais de adolescentes é o tempo que os filhos costumam ficar trancados sozinhos em seus quartos. Entretanto, esse comportamento é considerado importante para a construção da identidade dos jovens, que estão descobrindo gostos e experiências próprios. O controverso tema é abordado no livro ''Comunicação e Isolamento na Adolescência'', que será lançado amanhã à noite em Londrina. A publicação é de autoria de Carla Lima Braga, psicóloga, mestre em Educação, doutora em Psicologia e docente da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
''O isolamento no período da adolescência é importante para o jovem saber o que gosta, o que pensa e o que quer. Durante a infância o que prevalece é o gosto dos pais, que é a principal fonte de admiração do filho. Porém, quando se torna adolescente, o filho passa a negar essa condição. É um processo natural que vai resultar na sua independência afetiva'', afirma Carla.
Ela destaca ainda que o tempo em que passa sozinho é imprescindível para que o adolescente aprenda a conviver com o novo corpo, confusões afetivas e sexuais, frustrações e com o medo de gostar de alguém e ser rejeitado. ''É um processo que causa sofrimento e angústia e que exige compreensão e acompanhamento por parte dos pais'', ressalta a autora do livro.
Carla diz que quando esse processo não é vivenciado os pais correm o risco de conviver com filhos dependentes afetivamente deles pelo resto da vida. ''O adolescente tem a difícil tarefa de fazer esse desligamento dos pais. Quando isso não acontece, vemos aquelas situações em que o jovem não consegue batalhar a própria vida, tem dificuldade de estabelecer relações amorosas e até vínculos de amizade. É o caso típico do filho com mais de 30 anos que ainda mora com os pais'', alerta.
Acompanhamento
A autora diz que, apesar de respeitar a individualidade dos filhos, os pais devem acompanhar esse processo de isolamento fazendo intervenções afetivas. ''Deve-se deixar o adolescente sozinho durante alguns períodos, mas evitar excessos. É importante sempre trazê-los para o convívio familiar quando a família toda está reunida, trocar experiências e mostrar-se aberto para conversas'', aconselha Carla.
A autora ressalta que entre extremos opostos estão alguns pais que invadem o espaço dos filhos e outros que provocam um isolamento forçado. ''Os dois extremos são perigosos. Há adolescentes que se os pais deixarem não saem de seus quartos. Por outro lado, há pais que passam a maior parte do tempo trabalhando fora e não dão abertura para os filhos contarem suas vivências, pois estão sempre ocupados. Esse isolamento forçado costuma provocar solidão e pode causar depressão e angústia'', enfatiza.
Riscos
A professora de Psicologia recomenda aos pais que observem com atenção o comportamento dos filhos adolescentes. ''É importante manter um acompanhamento sem se mostrar invasivo. Os pais devem procurar saber que sites os filhos costumam visitar na internet e perguntar se eles querem conversar sobre algum fato que ocorreu com eles'', aconselha Carla.
Ela alerta para o risco de o isolamento do adolescente pode ter sido adotado devido ao uso de drogas, para esconder casos de agressão sofrida na rua ou até comportamento de automutilação. ''Na suspeita de um desses casos os pais devem fazer uma intervenção mais efetiva e ter uma conversa séria e esclarecedora com os filhos '', salienta Carla.


