Cerca de 10 menores promoveram ontem pela manhã um tumulto no Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi). Queimando colchões e batendo as grades das celas, eles reivindicavam a transferência de todo o grupo para outras unidades do Estado, com a justificativa de que estariam recebendo ameaças de morte de facções rivais dentro do Centro. Controlados pelos próprios educadores por volta do meio-dia, eles receberam a garantia da direção de que ao menos parte deles seria transferida até amanhã. Pelo menos 11 estoques (armas pontiagudas, confeccionadas com madeira, plástico ou metal) foram retirados das celas, mas ninguém foi ferido.
Segundo a diretora do Ciaadi, Odila Santos Cabral, os tumultos acontecem de forma sistemática desde segunda-feira, quando pedaços de esponja retirados dos colchões já haviam sido incendiados. ''São menores das alas 1 e 4 que dizem estar sendo ameaçados de morte pelos adolescentes das alas 2 e 3. Os grupos já eram divididos desta forma por serem rivais'', explicou. O Ciaadi tem quatro alas, usadas pelos educadores para separar grupos de adolescentes que se dizem rivais por pertencerem a favelas diferentes. Enquanto as alas 1 e 4 abrigam jovens que se dizem das favelas Vila Rica e da Rua Pantanal, nas alas 2 e 3 estão os adolescentes do Jardim Nossa Senhora da Paz, todas na Zona Oeste.
''Eles dizem que são dois jovens, um de 19 anos e outro de 17, que estão organizando uma rebelião para matá-los'', explicou o chefe dos educadores, Nilson Domingos. ''No entanto, esses meninos que foram acusados são conhecidamente tranquilos. Acho que o temor não tem justificativa, mas não adianta explicar isso para eles'', afirmou.
Pedindo a transferência imediata, os adolescentes das alas 1 e 4 ameaçavam atear fogo em todos os colchões até as 14 horas de ontem, se não tivessem as reivindicações atendidas. ''Eles enrolam papel higiênico em palha de aço e fazem um tubo comprido, que encostam nas lâmpadas dos corredores até que o objeto pegue fogo. Assim eles incendeiam as esponjas'', explicou Domingos. Para controlá-los, os educadores levaram os menores para celas na recepção do Centro, de onde qualquer coisa que pudesse pegar fogo foi retirada.
''Minha preocupação era que acontecesse alguma coisa grave, como já foi registrado antes em Londrina'', disse a diretora do Ciaadi, Odila Guimarães, referindo-se à morte de um adolescente, há 10 anos. Na ocasião, os menores eram detidos na Delegacia de Proteção ao Menor (DPM), onde hoje funciona o 2º Distrito Policial, e um dos jovens morreu ao atear fogo a um colchão. ''Eles são altamente inflamáveis e produzem muita fumaça''.
A promotora da Vara da Infância e Juventude, Édina Maria de Paula, foi chamada para conversar com os internos. Questionada sobre os aspectos negativos de se aceitar as reivindicações de menores após o início de um tumulto, ela explicou: ''Sabemos que não podemos atender a eles sempre desta forma. Mas por outro lado, isso expõe as deficiências físicas do Ciaadi e servem até como argumento para a busca de uma solução mais rápida'', argumentou.
Ela disse aos menores que a Justiça analisaria todos os pedidos até o final da tarde de ontem. Odila também afirmou que pelo menos dois dos adolescentes devem ser encaminhados ao Educandário São Francisco, em Curitiba, até amanhã.

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