Adolescência começa cada vez mais cedo e termina mais tarde
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quarta-feira, 27 de agosto de 1997
Curitiba 
Mauro FrassonTânia Zagury: Filhos de classes mais altas ficam mais tempo na escola, o que adia o fim da adolescênciaDezenas de mães com um complicado ponto em comum - o fato de possuírem filhos adolescentes - reuniram-se ontem à tarde em Curitiba para ouvir uma especialista no assunto, convidada por um colégio. Mãe de dois jovens, a psicóloga Tânia Zagury trouxe a experiência de quem já escreveu vários livros sobre o tema e provocou suspiros de preocupação na platéia ao afirmar que, por fatores biológicos e culturais, a adolescência está começando mais cedo e terminando mais tarde.
Segundo Tânia, até há algum tempo considerava-se que adolescência era o período compreendido entre os 13 e os 18 anos. Hoje, aceita-se que ela vai, de modo geral, dos 10 aos 20 anos. Um dos fatores do início precoce, segundo ela, é o fato de que as populações passaram a se alimentar melhor, fazendo com que o organismo amadureça mais cedo.
Os especialistas também supõem que a influência da televisão, com sua programação erotizada, deflagra a puberdade mais cedo. Por outro lado, os filhos, principalmente da classe média para cima, ficam mais tempo na escola, o que adia o fim da adolescência, diz.
A psicóloga explicou conceitos que defende nos livros Sem padecer no paraíso e Educar sem culpa. Segundo ela, uma dica importante para atravessar a adolescência dos filhos com menos problemas é não se desgastar com questões menores: Vale a pena lutar por causas que envolvem a formação do filho, nunca por coisas como um corte de cabelo esquisito.
Tânia também defende a necessidade de impor limites: Ser um pai moderno não é deixar o filho fazer tudo o que quer, mas o que é possível dentro das normas e da maturidade da idade.
De acordo com ela, o fato de que a imposição de limites não causa qualquer trauma foi comprovado numa pesquisa com 943 adolescentes de 16 cidades. Ela mostrou que só 15,5% dos entrevistados dariam aos filhos uma educação totalmente diferente da que recebem. Isso mostra que, embora aparentemente se contraponham aos pais, os adolescentes de modo geral os aprovam, diz.
Ela defende também que os pais atribuam responsabilidades aos filhos e que se informem sobre as mudanças físicas e psicológicas da adolescência. Precisam saber, por exemplo, que as alterações de humor geralmente estão ligadas ao aumento nas secreções hormonais. Ou que o adolescente desajeitado, que vive quebrando coisas, pode estar sofrendo com a adaptação à nova conformação física.


