ADOÇÃO INTERNACIONAL - As crianças que nós não queremos
Pelo menos cinco mil crianças incluídas no Cadastro Nacional da Adoção (CNA) procuram um lar e uma família. São crianças e adolescentes cujos pais perderam o pátrio poder e estão em abrigos mantidos pelo Estado. É o caso de duas crianças paranaenses, que chegaram a viver na rua e moraram numa casa-lar por três anos esperando pela adoção. O problema é que elas estavam longe do perfil preferido dos casais brasileiros: são negras e têm mais de cinco anos.
A vida no abrigo só não durou mais para essas crianças porque foram encaminhadas para adoção internacional. Neste mês, elas foram adotadas pelo casal Brian e Rosemari Teachout. Ele é americano, ela brasileira e têm um filho biológico, Nicholas, de seis anos.
A família Teachout faz parte de uma parcela pequena, mas importante de estrangeiros que procuram adotar crianças brasileiras. Os casais estrangeiros estão acostumados a não estabelecer limitações no perfil da criança, como mostra a Comissão Estadual Judiciária de Adoção. Dos casais atendidos, 77% não impuseram qualquer restrição de cor ou raça, 81% aceitaram crianças com idade entre 5 a 10 anos e 60% estavam dispostos a adotar dois ou três irmãos.
No Brasil, segundo a psicóloga Lídia Weber, do Núcleo de Análise do Comportamento da Universidade Federal do Paraná (UFPR), 83,5% das crianças adotadas têm até dois anos. Apenas 12,4% têm cor de pele diferente da dos pais adotivos.
● Criado por iniciativa do Conselho Nacional de Justiça para unificar as diversas filas de crianças aptas à adoção e de pessoas dispostas a adotar
● É o poder de decisão e obrigação de guarda, sustento e educação sobre a vida de uma criança ou de um adolescente (até 18 anos)





