Adoção exige cuidados
A professora Nilva Maria Freres Mascarenhas, do Departamento de Clínicas Veterinárias da Universidade Estadual de Londrina (UEL), lembra que a adoção de animais abandonados é recomendada, mas alerta para os cuidados que devem ser tomados. Animais recolhidos na rua podem representar um perigo para a família, pois podem estar doentes e transmitir às pessoas desde uma doença de pele ou uma verminose e até mesmo uma zoonose, que é uma doença transmitida dos animais para o homem e vice-versa. Como exemplos de zoonoses, ela cita a raiva, a leptospirose e a toxoplasmose, entre outras, e que podem inclusive levar à morte.
Segundo a docente, quando se recolhe um animal da rua é muito importante ter noção de guarda responsável: Trata-se de um novo membro da família, com sentimentos, com o qual serão compartilhadas alegrias e tristezas, e que merece todo respeito e cuidados. Nilva recomenda que o animal seja levado ao veterinário, que fará inicialmente um exame físico, e exames laboratoriais e complementares, quando necessário, emitindo um parecer sobre o seu estado de saúde. É o veterinário que vai administrar as vacinas e vermífugos necessários, orientando sobre alimentação e manejo adequados.
Nilva, que desde 1996 trabalha no projeto Controle de natalidade de cães e gatos em Londrina e região: um exercício de bem-estar animal, saúde pública e ensino-aprendizagem, defende a esterilização (geralmente a cirúrgica), como medida de controle populacional. Assim, diz ela, evitam-se transtornos com o cio e posterior desenvolvimento de infecções e tumores. A esterilização também possibilita a diminuição de animais errantes e eutanásia, ao mesmo tempo que colabora para a diminuição da disseminação de doenças infectocontagiosas entre os animais e o risco de zoono-ses, afirma. Ela lembra, porém, que não bastam a adoção e a esterilização cirúrgica para reduzir o número de animais abandonados. Faz-se necessária uma verdadeira mudança de cultura, com a valorização e o respeito à vida dos animais. (S. L.)





