A adoção do bebê recém-nascido, abandonado na madrugada de domingo nos fundos da prefeitura de Campo Mourão, deve demorar mais de seis meses. A previsão é do juiz da Vara da Infância e da Juventude da comarca de Campo Mourão, James Hamílton de Oliveira Macedo.
Segundo ele, o prazo só será menor se a mãe da criança aparecer. ‘‘Casos em que os pais são desconhecidos são mais complicados’’, ressaltou. Até que seja providenciada a adoção, o bebê, uma menina branca, deverá ficar no Lar Mirian, mantido por uma igreja evangélica.
A menina foi enviada para o abrigo ontem à tarde, depois de ficar dois dias em observação no Hospital São José. ‘‘Nossa intenção é ver se conseguimos localizar a mãe dessa criança’’, frisou o juiz.
Segundo ele, a mãe terá o direito de ficar com a filha desde que apareça antes do fim do processo de destituição do pátrio poder.
‘‘A possibilidade da criança ficar com a mãe existe, mas essa mãe vai sofrer algumas sanções previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente e até mesmo no Código Penal’’, explicou Macedo.
Se aparecer, a mãe poderá perder a guarda da filha e até mesmo responder por tentativa de infaticídio e ocultação de recém-nascido, com penas de até dois anos de prisão. Depois de perder o pátrio poder, a mãe não terá mais como ficar com a criança.
Quando foi deixado na prefeitura, o bebê ainda estava com a placenta. Ele estava apenas enrolado em um pano branco e em uma blusa.
O chefe do setor de vigilância da prefeitura, José Maria Trizote, que tem quatro filhos homens, disse ontem que queria adotar a criança, mas foi informado pelo Juizado que já existe uma ‘‘fila de espera’’.
Até ontem, o juizado tinha quatro casais a espera de uma criança - dois de Campo Mourão e dois de cidades vizinhas.

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