Como qualquer outro evento de nossas vidas, a adoção também pode se caracterizar como um processo gerador de ansiedade para os pais que ficam em fila de espera aguardando a chegada do filho. No entanto, o quanto essa ansiedade será sentida de forma angustiante e sofrível depende da percepção do casal. Isso é o que afirma a psicóloga Gisela Guilherme, do Instituto Innove, de Londrina. Para ela, essa ansiedade não pode ser considerada essencialmente ruim, pois favorece que o casal e toda a família se preparem psicologicamente para a chegada do filho.
  ‘‘Pode ser um oportunidade maravilhosa para que o casal decore o ambiente físico para acomodá-lo; busque informações sobre adoção e educação infantil e participe de grupos de apoio para troca de informações com outros pais’’, menciona Gisela.
  Por outro lado, não podemos ignorar que o processo da adoção muitas vezes dura anos. Nesse caso, a espera pode se tornar angustiante, e as esperanças de ser pai e mãe vão sendo encaradas como distantes.
  Se não há uma maneira de agilizar o processo da adoção, não há como se imaginar que não haja ansiedade nesse período. Por isso, ela orienta que em primeiro lugar os pais devem aceitar a condição que se encontram, e não lutar contra seus sentimentos.
  ‘‘O importante é que a ansiedade não atinja níveis extremos, prejudicando os demais aspectos da vida. Eles não devem deixar de lado sua vida profissional, social, familiar e o lazer para viver em função da chegada do filho’’, afirma a especialista, salientando que, enquanto a oportunidade de vivenciar o sonho não chega, os demais planos e projetos não devem ser deixados de lado.
  ‘‘O acompanhamento psicológico pode ser um bom recurso quando os pais não estiverem conseguindo fazer isso por conta própria’’, alerta Gisela, detalhando que o acompanhamento pode ser fundamental para que o casal consiga lidar com outras questões, como os motivos que os levaram a adotar, seus desejos, suas expectativas e receios.
  Após a chegada do filho, Gisela destaca que o acompanhamento profissional pode ser útil, caso a família esteja enfrentando dificuldades que não consigam superar sozinhas. ‘‘Podem ser questões referentes à adaptação da criança, desenvolvimento de habilidades dos pais para lidar com ela, dificuldades em estabelecer vínculo, dificuldades em impor regras e limites’’, complementa.

Irmão
  E, assim como os pais se preparam para adotar o bebê, a criança ou o adolescente, a psicóloga esclarece que o filho biológico também deve ser preparado para a chegada de um irmão adotivo.
  Conforme Gisela, o filho biológico deve ser inserido no processo, desde a tomada de decisão até o andamento do processo da adoção. ‘‘Assim, ele se sentirá valorizado, como parte importante da família e isso facilitará sua aceitação e disposição para construir um vínculo com o irmão’’, destaca.
  Ela orienta que os pais dialoguem constantemente com o filho e procurem conhecer sua opinião e seus receios. ‘‘Eles devem buscar esclarecer as dúvidas e explicar sobre as mudanças que ocorrerão na casa a partir da chegada do irmão. Isso diminui sua ansiedade e quebra possíveis ideias distorcidas que a criança pode ter elaborado’’, observa.

Pesquisas
  Além do casal e do filho biológico, Gisela alerta que é imprescindível que a família, como um todo, esteja preparada para receber o novo integrante. De acordo com a psicóloga, a conversa com a família sobre a adoção é importante, pois pesquisas apontam que a maior discriminação e preconceito sofridos pelos filhos adotivos não vem das pessoas de fora, mas dos familiares e amigos próximos.
  ‘‘Devemos considerar que cada pessoa possui uma história diferente, ideias e opiniões divergentes. Os pais devem conversar com naturalidade sobre o assunto e permitir que os outros exponham suas opiniões e façam seus questionamentos. Essa atitude, evidentemente, não garantirá a aceitação da criança como parte da família, mas os pais darão o modelo para os membros da família sobre como lidar com a questão e contribuirão para que se construa o vínculo afetivo entre eles’’, analisa.

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