ADOÇÃO - Compromisso de amor para toda a vida
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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2006
Marta OrtegaReportagem Local 
Ser pai e mãe de uma criança que não foi gerada pelo casal requer muita dedicação. Talvez maior até que a dos pais biológicos, que muitas vezes já ''dão a vida'' para criar os filhos. Não basta apenas ter vontade e se cadastrar para ser aprovado e ter o direito de levar a criança para casa. O critério para a adoção é rigoroso e o perfil psicológico dos pais é fundamental.
Para a promotora da Vara da Infância e Juventude Édina Maria de Paula, que há dez anos está à frente desse trabalho em Londrina, o importante é definir se o casal tem condições ''paternal e maternal'' para adotar uma criança. ''Na maioria das vezes o casal se cadastra tentando resolver um problema: o impedimento de ter filhos naturais, por exemplo, ou mesmo um problema de relacionamento. E adoção não é isso.''
A promotora explica que a pretensão de adotar um filho tem que responder a uma pergunta básica: ''Estou disposta a cuidar, a assumir as responsabilidades? Filho é para o resto da vida'', alerta. ''Nossa prioridade é avaliar as condições emocionais do casal para garantir um verdadeiro lar para a criança, que geralmente já vem de um ambiente problemático.''
Além do emocional, os critérios técnicos também têm que ser respeitados. A lei não estabelece limite etário para adoção. Apenas o mínimo de 21 anos. Pessoas solteiras também têm o direito de adoção, mas a procura maior é por casais. Hoje, cerca de 60 estão qualificados e na fila de espera para adotar uma criança em Londrina.
Apesar de toda a estrutura oferecida na cidade para abrigar crianças e adolescentes (três casas-abrigo e quatro instituições sociais), o trabalho não é fácil. ''Temos pessoas qualificadas para cuidar de todos eles e atender o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).'' A intenção, segundo a promotora, é fazer com que as crianças vivam o ''mais próximo possível da realidade familiar'', por isso, o ambiente que se tenta manter nestas instituições é de um lar.
O ideal, segundo Édina de Paula, seria que a criança nunca saísse do seio familiar. ''Por mais difícil que seja, é melhor para ela conviver com o pai e a mãe.'' Em casos considerados graves, em que a criança é ''devolvida'' para a família e acaba fugindo novamente de casa, o sistema de avaliação é mais criterioso. ''Nessa hora educadores e conselheiros tutelares têm que ter percepção e uma sensibilidade muito grande. Nenhuma criança foge de um lugar que é bom. Se ela está fugindo sempre é porque dentro de casa tem espinho.''


