Uma conversa com pacientes em recuperação de dependência química revela, de início, a insegurança em relação ao tratamento. Luiz (16 anos), Marcos (25) e Celso (17) - os nomes foram trocados, a pedido dos entrevistados - têm em comum uma história de consumo de drogas marcada pela necessidade de se admitirem como doentes. E, a partir disso, uma busca contínua por uma vida saudável.
Pacientes da Clínica Nova Esperança, os três já estão num estágio do tratamento onde o progresso é visível, traduzido em autoconfiança. Mas nem sempre foi assim, como conta Luiz: ‘‘Quando minha mãe me trouxe aqui, eu estava muito assustado, não queria ficar de jeito nenhum. Mas teve que ser na marra, porque eu não estava entendendo que estava doente’’, conta ele, há cinco meses em tratamento.
Albari RosaPrecoceLuiz tem apenas 16 anos e enfrenta, há cinco meses, tratamento para se livrar da dependência das drogas, que começou aos dez anos de idadeUsuário de maconha desde os 10 anos de idade, apresentado ao crack aos 13, o estudante Luiz acha que não existe ‘‘receita’’ para deixar o vício. ‘‘A droga tem uma coisa muito interessante que é o seguinte: é a única doença onde o remédio vem de dentro para fora’’, explica ele, referindo-se à necessidade de o próprio paciente conseguir perceber o vício como uma doença.
Marcos, que apesar do vício conseguiu manter o emprego num escritório de advocacia graças à compreensão do patrão, diz que depois de dez anos envolvido com drogas ‘‘chegou um momento em que não dava mais para acordar’’. Numa atitude considerada rara entre usuários, ele mesmo tomou a decisão de procurar a clínica. ‘‘Foi a melhor coisa que eu fiz’’, diz, depois de 50 dias de tratamento e 30 de internação. ‘‘O dependente tende a criar problemas, mas precisa de apoio para encarar o vício e se tratar’’, diz.
Celso, que esteve preso à maconha durante três anos, diz que só não se envolveu com cocaína porque não gostou. ‘‘Eu cheirei umas duas vezes, mas passei mal. Se eu tivesse gostado, seria muito pior’’, conta ele. (E.B.J.)Albari RosaForça de vontadeDepois de dez anos de envolvimento com drogas, Marcos se revelou um caso raro: ele mesmo resolveu procurar ajuda, quando percebeu que ‘‘não dava mais para acordar’’O dependente precisa
de apoio para
encarar o vício e
procurar ajuda

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