Administradores voltam a atuar nos distritos de Londrina
Sete pessoas foram nomeadas para trabalharem como “pontes” entre poder público e população
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quarta-feira, 21 de agosto de 2019
Sete pessoas foram nomeadas para trabalharem como “pontes” entre poder público e população
Pedro Marconi - Grupo Folha 

Após um hiato de cerca de três anos, Londrina voltou a ter “subprefeitos” nos distritos, agora com a denominação de administradores distritais. Das oito localidades da cidade, sete tiveram os responsáveis nomeados pela prefeitura, sendo a grande maioria entre julho e agosto. Foram designados Reginaldo Choucino (Warta), Milton César Reis (Paiquerê), José Roberto Pereira (Maravilha), Agnaldo Freitas (Irerê), Arthur Franco Ferreira (Guaravera), Maria Helena da Conceição (Lerroville) e José Tenório de Oliveira (São Luiz). Apenas Choucino vem atuando desde setembro de 2018. Espírito Santo é o único distrito que está sem administrador e o município não tem previsão para que isso ocorra.
Projeto antigo na cidade, estes interlocutores entre população e poder público vêm sendo constituídos ao longo de várias administrações municipais, desde a década de 1990. Em alguns períodos, eles foram eleitos pelos próprios moradores. No caso dos atuais, as escolhas partiram do chefe do Executivo.
Os administradores terão salário de R$ 2,5 mil mensais e estão vinculados à chefia de gabinete da prefeitura, além de manterem contato com mais frequência com a secretaria de Agricultura e Abastecimento. “Funcionalmente estão ligados ao gabinete, porém, o elo operacional está com a Agricultura, que é a responsável pelos distritos, não somente a questão das estradas rurais, mas os cuidados gerais”, explicou Tadeu Felismino, chefe de gabinete do município. “No nosso caso, vamos colaborar nesta dinâmica de repassar as demandas às outras pastas e órgãos, pois, é uma atividade complexa.”
Felismino defendeu que os nomeados são importantes para também fazerem o acompanhamento de ações desenvolvidas nos distritos. “É uma mediação para que os problemas não cheguem a patamares tão grandes como nos últimos anos. As próprias comunidades reivindicavam esta figura, pois, ao longo do tempo foram ficando sem nada. A palavra da vez é deixar os locais 'em ordem”, apontou.
MUTIRÕES
A promessa do executivo é de que as carências dos populares sejam repassadas, no mínimo, semanalmente, com reuniões presenciais uma vez por mês, com a presença da equipe e secretários mais demandados. Segundo o chefe de gabinete, a proposta é que sejam promovidos mutirões nos distritos, com apoio dos administradores, para que sejam sanadas as adversidades mais graves. O primeiro aconteceu no final de julho em Irerê (zona sul).
“Estamos na fase de definir esta agenda de mutirões. Queremos levar serviços de tapa-buracos, pinturas, pequenas intervenções de revitalização, iluminação, limpeza de bueiros, poda de árvores, recolhimento de despejos irregulares, se houverem. É para deixar os distritos, pelo menos, num nível básico, para não ficarem 'largados”, frisou. Após protesto de moradores de Irerê, recentemente, a Câmara de Vereadores montou uma comissão de acompanhamento dos distritos. Este grupo participará da confecção desta agenda de compromissos.
SEM LUGAR FIXO
Diferente de períodos passados, os administradores distritais não terão um lugar fixo de atendimento à população. Eles atuarão como agentes comunitários. “Isso facilita, pois a comunidade acaba nos procurando na rua, outras demandas chegam por aplicativo. Estamos no dia a dia do distrito”, defendeu Reginaldo Choucino, coordenador na Warta (zona norte), que ainda descarta que o trabalho dos nomeados seja de “cabo eleitoral”. “De maneira alguma. Aceitei o desafio para poder doar um pouco de mim para a comunidade onde nasci e cresci. Estou ajudando conforme posso.”
Desde que assumiu, no ano passado, segundo ele, pedidos já foram atendidos, como a construção de uma escola municipal, em fase final de obras, reforma e ampliação da UBS (Unidade Básica de Saúde), limpeza de bueiros, recuperação da capela mortuária, sinalização e reparos no banheiro público. “O que estamos buscando agora é a melhoria nas duas entradas e saídas, reforma do posto da GM (Guarda Municipal), quadra esportiva comunitária, a ponte entre Warta e Heimital e as estradas rurais”, pontuou o empresário.
LERROVILLE
“Devemos estar sempre à disposição da população e acolher bem as reivindicações do todo e não de situações que beneficiem individualmente”, destacou a professora aposentada Maria Helena da Conceição Silva, administradora em Lerroville (região sul). “Sempre fiz trabalhos no distrito, ajudando em projetos. Consenti com o convite após insistência dos amigos”, contou.
Mais distante distrito da sede do município, Lerroville tem entre suas bandeiras, indicadas pelos moradores, o recapeamento das vias e restauração da praça, hoje praticamente inexistente. “Pedíamos a construção de uma creche há cerca de 40 anos e ela foi edificada. O posto de saúde e a escola municipal estão recebendo reparos, porém ainda falta bastante melhoria. As estradas rurais estão complicadas, poderia ter mais médicos nas unidades de saúde. Este retorno dos administradores é positivo e, no meu caso, vou levar para os secretários tudo que tiver”, prometeu.
MARAVILHA

Numa conversa rápida com moradores da pacata Maravilha, distrito na região sul e que fica a 26 quilômetros da sede do município, já é possível identificar a demanda que é unanimidade: a qualidade das estradas rurais. Dos mais de 1.200 habitantes, de acordo com o último levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 749 são residentes da zona rural, dependendo com extrema necessidade dos caminhos de terra.
A atendente Meire dos Santos viaja diariamente da zona rural para a urbana do distrito para trabalhar. “Passo por cerca de três quilômetros de estrada de chão. Não tem moledo, é só pedra solta. Quando chove sofremos muito. Carros ficam atolados e só trator para retirar. Em dias assim me arrisco ir para casa, mas às vezes está tão ruim, que durmo na mercearia tamanha a dificuldade”, relatou. “Nesta questão estamos abandonados há pelo menos três administrações”, constatou.
O vigilante Silvio Santos Alves disse que a nomeação do administrador distrital é positiva e traz muitas expectativas. “Conhecemos o administrador daqui e pelo menos vemos que está correndo atrás de algo por nós. Fazemos nossos pedidos diretamente para ele. Devagar vai melhorando.”
Para os comerciantes Maria Aparecida e Antonio Angelo Paduan, a falta de estrutura para praticar esportes é outra dificuldade. “A quadra está com as peças quebradas e estamos na esperança de instalarem uma academia ao ar livre. Não é um lugar inseguro, contudo, se tivéssemos viaturas rondando com mais frequência seria bom. O quebra-molas da avenida Paraná é muito baixo e os motoristas passam em alta velocidade. Ainda tem a questão dos Correios, que a prefeitura poderia ajudar. Só conseguimos pegar correspondência na escola duas vezes por semana e em horário restrito”, elencam.
PRIORIDADE
Atuando desde junho, mas nomeado oficialmente neste mês, o administrador distrital de Maravilha, José Roberto Pereira, afirmou que já conseguiu benefícios para a população neste tempo. “Nosso posto de saúde vai ser reformado e por falta de local iriam transferir o atendimento para a unidade do Itapoã (zona sul). Conseguimos um espaço do próprio município, onde antigamente funcionava uma padaria comunitária, revitalizamos e agora o posto vai continuar no distrito. A mudança deve acontecer nesta semana”, ressaltou.
Nascido no distrito, que foi criado em 1977, Pereira já foi presidente da associação de moradores, produtores e agricultores da localidade, conhecendo o prefeito Marcelo Belinati neste período, quando o atual chefe do executivo era vereador. Sobre a academia ao ar livre, o administrador informou que isto já foi garantido e a instalação será em breve.
“Precisa fazer o piso antes para receber os equipamentos. Além disso, tem projeto para reformar a quadra”, indicou.
Na visão do administrador, a prioridade no cargo será a conquista de casas populares. “Para as estradas rurais estão para chegar maquinários na prefeitura e a partir de então vão ser realizados reparos. É uma demanda nossa a construção de uma Vila Rural, pois, muitas pessoas pagam aluguel. Já levamos isso ao prefeito e tem um terreno aqui que deverá ser repassado para a Cohab (Companhia de Habitação), para dar prosseguimento.”



