Administrador cria Associação de Desempregados
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quarta-feira, 30 de agosto de 2006
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Há poucas cenas tão tristes quanto ver uma pessoa que pode e quer trabalhar, mas não consegue emprego. Cansado de passar quase dois anos ouvindo ''não'' ao procurar trabalho em Londrina, o professor e administrador de empresas Luiz Agnelo Pitta, 51 anos, não cedeu ao desânimo e resolveu criar a Associação de Apoio ao Desempregado Discriminado do Paraná.
Cidadãos habilitados a se associar não faltam. Segundo o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), em 2004 havia 344 mil desempregados no Paraná, uma taxa de 6,15%. Em Londrina, 16 mil pessoas procuram o Sistema Nacional de Emprego (Sine) mensalmente, o que leva o órgão a estimar que 6,5% da população economicamente ativa do município esteja desempregada.
Mas por que ''desempregado discriminado''? Pitta explica a partir do próprio exemplo: com 20 anos de experiência em gerência em lojas e empresas, ele acredita que não consegue mais trabalho apenas por causa de sua idade. ''Tenho experiência, estou sempre me atualizando, fiz vários cursos. Mas o mercado não dá oportunidade por preconceito'', afirma.
O professor conta que em várias ocasiões correu atrás de vagas encontradas no site do Sine mas, ao procurar a Agência do Trabalhador, era informado de que havia um limite de idade exigido pela empresa. ''Eles nem me encaminhavam, eu não conseguia sequer chegar até o empresário para apresentar meu currículo. Fiz denúncia à Procuradoria do Trabalho, pois a lei proíbe discriminação por idade'', frisa.
O gerente geral da Agência do Trabalhador em Londrina, Mauro Viecili, diz que tem alertado as empresas de que não pode impor limite de idade, mas que alguns contratantes insistem e avisam ''que o candidato vai perder viagem'' se estiver fora dos pré-requisitos. ''Eu nem abro mais a vaga quando a empresa faz isso. Por outro lado, acho que aqueles que buscam emprego têm de tomar cuidado para não se acomodar. Acima dos 35 anos, as pessoas deixam de se requalificar, não acompanham a evolução do mercado'', observa.
Pitta concorda. Por isso, além de defender os desempregados contra o preconceito, quer fazer da associação um meio de conseguir apoio da iniciativa pública e privada para qualificação profissional. O projeto ainda é tímido: nas duas primeiras reuniões realizadas para falar da associação, houve 20 adesões. ''Foi um número até razoável, considerando que quase não fizemos divulgação'', considera.
Uma das pessoas que atendeu à convocação foi Eber Campregher Martins, desempregado há seis anos. ''Fui demitido de uma construtora em 1996 e trabalhei como autônomo até 2000. Desde então, não consigo mais nada'', relata, ressaltando que um acidente sofrido em 1999 tirou um pouco de sua aptidão física. Nada que interfira, contudo, nas áreas em que busca emprego: informática e auxiliar de escritório.
Com 36 anos, Martins também acredita que sua idade já é obstáculo no mercado. A maior angústia, diz, é não receber qualquer resposta das empresas que procura. ''Elas deveriam pelo menos dar uma satisfação, dizer por que não estão te contratando.'' Entre buscas incessantes a classificados e sites de empregos, ele garante que ainda não perdeu a esperança de deixar as estatísticas do desemprego.
SERVIÇO: Quem quiser apoiar ou participar da Associação de Apoio ao Desempregado Discriminado do Paraná pode entrar em contato com o professor Luiz Agnelo Pitta pelo telefone (43)9933-6864 ou o e-mail [email protected]


