Administrador aparece e acaba com o mistério da fazenda
Mário CésarSem segredoO vice-administrador da fazenda Santa Mônica, Paulo Henrique Borges: arrendamento e pesque-pagueTudo isso não passa de especulação, de conversa de bêbado. A afirmação é do vice-administrador da fazenda Santa Mônica, Paulo Henrique Borges, sobre o mistério que envolve um suposto empreendimento instalado na propriedade rural e relatado em matéria publicada na edição de domingo da Folha. A fazenda fica no patrimônio de Taquaruna, distrito de Irerê, a 20 quilômetros de Londrina, e vinha despertando a curiosidade de moradores da região.
Segundo contaram os vizinhos da Santa Mônica, ninguém pode entrar na propriedade e ninguém sabe o que realmente estaria sendo feito no local. Por esse motivo foi levantada muita especulação, como a que lá estaria sendo construída uma escola agrícola; escola técnica para formação de mão-de-obra especializada em mecânica pesada; oficina de aprendizagem para operários trabalharem no Japão; indústria de baterias; e até mesmo seita religiosa.
Paulo Borges afirma que não existe mistério e que a polêmica foi levantada sem qualquer fundamento. A fazenda, ele diz, é de propriedade de Isao Takemura, que há quatro anos pretendia realmente levantar no local uma escola técnica para formação de mão-de-obra para trabalhar no Japão - assim como funciona uma similar em Maringá. A pessoa interessada faria o curso na escola, onde teria alojamento, e depois seria encaminhada para o mercado de trabalho.
Para viabilizar o projeto, Takemura construiu os galpões, a pequena vila com cerca de 20 casas e comprou diversos equipamentos, como torno e furadeira industrial. Mas a idéia de transformar a fazenda Santa Mônica numa escola técnica, afirma Paulo Borges, naufragou por falta de energia, técnicos e professores especializados. Por isso, há cerca de dois anos o proprietário se mudou para o Japão. Para que os 70 alqueires da propriedade não ficassem ociosos, a idéia foi dividir e arrendar a fazenda entre aproximadamente 15 famílias, que utilizariam as casas e aproveitariam o solo.
Hoje, a Santa Mônica tem cinco famílias e até o final da semana devem chegar outras cinco. E como essas famílias têm filhos, solicitamos à Secretaria de Educação a instalação de uma escola municipal. As aulas devem começar dia 10 de fevereiro, aponta. As outras cinco famílias ainda estariam sendo escolhidas pelo administrador geral da fazenda, Maximiliano Perazolo, que mora na fazenda com a esposa e os filhos. Estamos separando os lotes. Se alguém quiser, é só ir lá falar com a gente.
Paulo Borges diz que, além de vice-administrador, é também um dos arrendatários. Junto com a lavouva, garante, ele também está fazendo no local um pesque-pague, aproveitando a água do rio que corta a região. Daí a represa que está sendo levantada na Santa Mônica e que também foi alvo de especulação entre os moradores da região. Daqui uns dois meses o pesque-pague deve ficar pronto, garante.
O vice-administrador da Santa Mônica aponta ainda que, para aproveitar o barracão e os equipamentos já comprados, existem estudos para montar uma oficina de conserto de máquinas agrícolas, oferecendo serviços para os proprietários rurais da região. Mas este é um projeto que ainda não está concluído, aponta. Se nada der certo, vamos utilizar o barracão para fazer farinha de mandioca ou armazenar cereais.
Paulo Borges rebate ponto a ponto as observações feitas pelos moradores da região. Sobre o uso de cadeado, por exemplo, ele lembra que qualquer propriedade rural tem porteira fechada da mesma forma que a Santa Mônica. Lá é a nossa casa. Senão qualquer fazenda da região também seria considerada suspeita, avalia. E a gente está lá para trabalhar, não tem tempo para ficar em boteco.
O arrendatário lembra ainda que uma propriedade com empreendimento suspeito não pediria a construção de uma escola ou então a instalação de um telefone público, como foi feito à Sercomtel semana passada. Ele diz ainda que o segurança Luiz Carlos Raimundo, que disse nem saber o nome do patrão, é empregado, na verdade, do pedreiro responsável pelas obras na fazenda - além do pesque-pague, um banheiro de escola. O segurança teria sido colocado lá para possibilitar que materiais de construção entrassem na fazenda. Além do mais, não faz uma semana que ele está lá.
Paulo Borges diz também que o pessoal sempre evitou comentar sobre os projetos da Santa Mônica para não despertar atenção de sem-terra. Ele lembra que a propriedade ficou mais de dois anos sem produção e com várias casas desocupadas, o que poderia chamar a atenção. Mas agora já não há mais problema porque a fazenda está sendo ocupada, garante. Ele confirma também que Aldo Takemura é mecânico de Sorocaba (SP), parente do dono da Santa Mônica e que estaria na região prestando serviço de manutenção para que o maquinário comprado para a escola técnica não se perca.
Para Paulo Borges, a polêmica foi estimulada pelo próprio vereador Osvaldo Bergamin (PMDB), de Londrina, mais conhecido como Osvaldo da Infibra. A gente tem atrito com ele. Ele tentou entrar na fazenda para fazer política, porque sabia que ia chegar mais gente lá. Mas não deixamos, garante. O vice-administrador afirma também que a intenção do vereador, além de conquistar votos, era abrir caminho para que um protegido dele, que tem mercearia em Irerê, vendesse seus produtos na propriedade.
A gente não gosta de político e muito menos dele (Bergamin). Ele não vai passar nunca da porteira. Vai entrar lá para quê?, questiona. O que o vereador quer é aparecer, ganhar votos às nossas custas. E a gente não tem que dar conversa para ele.





