Administração quer fechar mandato com 40 km de ciclovias e ciclofaixas
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segunda-feira, 03 de agosto de 2015
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
A área central de Londrina, que por décadas não recebeu obras que privilegiassem o uso da bicicleta como meio de transporte fora de áreas de lazer, está voltando a receber infraestrutura do tipo em vias importantes. As intervenções são parte do planejamento da rede cicloviária que está em fase de ampliação na cidade.
As primeiras ciclovias criadas Londrina remontam ao final dos anos 1980, em trecho da Avenida Leste-Oeste. No início desta década outras ciclovias foram criadas na região central, mas em áreas de lazer, como o Zerão e o Lago Igapó. Nos últimos anos, o transporte não motorizado em duas rodas voltou a ganhar força e já há um planejamento do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) que contempla mais de 300 km de ciclovias e ciclofaixas na cidade. A meta até o final da gestão do prefeito Alexandre Kireeff, cujo mandato termina em 31 de dezembro de 2016, é criar chegar a 40 km de ciclovias e ciclofaixas. Hoje existem cerca de 20 km.
Segundo Kireeff, a administração trabalha com dois tipos de abordagem para a criação de novas ciclovias. "A primeira seria pelas novas diretrizes do município, que preveem as ciclovias incorporadas em novos loteamentos. A segunda seria a criação de ciclofaixas em vias já consolidadas, que seriam vinculadas à realização do trabalho de recape asfáltico", explicou. Além disso, uma terceira abordagem é a implantação do SuperBus, que prevê a incorporação da rede cicloviária, inclusive com a criação de bicicletários e paraciclos.
De acordo com a diretora de Trânsito do Ippul, Cristiane Biazzono Dutra, atualmente a cidade possui sete locais com paraciclos, com 40 arcos, totalizando 80 vagas. "Os quatro terminais de bairro serão submetidos a reformas e ampliações e receberão bicicletários, com lockers (armários com chaves)", adiantou.
Kireeff também apontou que uma quarta abordagem exige um ritmo mais cauteloso. "Seriam aquelas feitas com o financiamento do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Mas hoje existe uma falta de segurança dos valores em função do valor do dólar. Se o Brasil perder o grau de investimento, a contratação de financiamento vinculado ao dólar pode ser perigosa", alegou.
A previsão é que até o fim deste ano é ligar o acesso de bicicleta entre as avenidas Tiradentes (zona oeste) e Robert Koch (zona leste), passando por vias como a Juscelino Kubitscheck, Paranaguá, Alagoas e Santos Dumont. Outro eixo é a ligação entre a Tiradentes e Higienópolis, passando pela Paranaguá, Lago Igapó, Ayrton Senna e Madre Leônia Milito. Também está em obra uma ciclovia na Avenida Saul Elkind (zona norte).
A colocação da sinalização nas vias recém-pintadas no centro, como a Espírito Santo e Paranaguá, ainda não foi concluída, mas as novas ciclofaixas já são usadas. A fiscalização, porém, só vai começar quando a instalação das placas for concluída em cada via. A professora de dança Renata Neuhá Gomes, de 19 anos, mora na Rua Paranaguá e utiliza a bicicleta como meio de transporte há quatro meses. Ela relata que percebeu uma mudança no comportamento dos motoristas em relação aos ciclistas depois que a ciclofaixa foi pintada na via. "Deu para sentir bastante diferença, principalmente em relação aos carros, que passaram a nos respeitar muito mais", observou.
A universitária Renata Santa Rosa, de 23 anos, apesar de não usar bicicleta, elogiou a iniciativa. "Sempre vejo o pessoal andando muito de bicicleta por aqui. O pessoal precisa disso", ressaltou. Para o comerciário e estudante Marcelo Horikawa, de 18 anos, ainda é cedo para fazer qualquer avaliação. "Não sei se vai atrapalhar ou não. Vamos ver nos próximos dias como o movimento vai se comportar", afirmou.
Uma das questões que preocupa outro usuário de bicicleta, o estudante João Victor de Oliveira, de 15 anos, é a segurança. "O ideal seria a implantação de ciclovias em todos os lugares, que separa de maneira mais segura os carros dos ciclistas. A ciclofaixa não garante tanta segurança assim, pois qualquer desvio do motorista pode acertar o ciclista", afirmou.


