Adiamento de concurso provoca confusão
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segunda-feira, 04 de novembro de 2002
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
O cancelamento do concurso público para professores da rede estadual de ensino provocou confusão ontem de manhã, em Londrina. Candidatos de outros estados vieram para as provas que deveriam ocorrer ontem e reclamaram que não foram avisados das mudanças no concurso. A notícia, segundo um grupo de inscritos, foi repassada pelo porteiro da escola onde seriam aplicadas as provas, que mostrou a eles o Edital de Cancelamento fixado no mural.
Revoltados, um grupo de candidatos tentou registrar queixa na 10 Subdivisão Policial. Depois, o grupo tentou, sem sucesso, contato com o coordenador do Procon. Eles estiveram ainda na sede da APP-Sindicato, mas também foram recebidos apenas pelo porteiro.
Segundo o porteiro da escola, cerca de 25 pessoas vieram para o teste. Entre elas até mesmo candidatos da cidade, como o comerciante Milton Roberto Mendes. Ele disse que não viu as notícias veiculadas na imprensa sobre o cancelamento das provas.
Reinaldo Marcelino da Silva, que veio de Franca (SP), disse que quando fez a inscrição a orientação contida no material era de que acompanhasse o Diário Oficial do Estado. ''O edital saiu no dia 31 de outubro, só na segunda-feira (hoje) é que a publicação chegaria em nossas cidades'', protestou. Ele contou ainda que junto com eles estavam seis pessoas que vieram de Belém (PA) e que teriam saído de seu Estado no dia 30, um dia antes do adiamento. Reinaldo criticou o descaso por parte dos promotores do concurso. ''Já que houve adiamento eles deveriam ter comunicado a todos. De que adianta esse aviso fixado no mural da escola?''.
Outra candidata, Juliane de Souza Silva, de Presidente Prudente (SP), se declarou perplexa com a atitude do Governo do Estado. Ela mostrava o documento de confirmação do concurso que informava o local da prova enviado pela instituição que realizaria o concruso. ''Pensei que o porteiro estivesse brincando comigo'', disse referindo-se ao susto que levou com o aviso no mural.
Amarildo Gomes Pereira, de Bauru (SP), espera algum tipo de ressarciamento das despesas por parte do Governo. ''Além do dinheiro sofremos o constrangimento de virmos até aqui e termos que nos justificar perante nossos familiares''.
A mudança na data do concurso ocorreu no dia 30 de outubro, durante uma reunião da equipe de transição designada pelo governador eleito Roberto Requião (PMDB), com o grupo do atual governador Jaime Lerner (PFL). O coordenador da equipe e vice-governador eleito Orlando Pessuti (PMDB) disse que os atuais professores não tiveram oportunidade de se qualificar e, assim, enfrentariam uma concorrência desleal se a data do concurso permanecesse. A decisão de Lerner, ''foi pessoal'', afirmou naquele dia o secretário da Fazenda do Estado, Ingo Hubert, pois ''seria justo'' que o próximo governo decidisse sobre os cargos que serão criados.
O secretário de Estado do Governo, José Cid Campêlo Filho, um dos integrantes da equipe de transição nomeada por Lerner, disse ontem que não cabe qualquer tipo de ressarcimento neste caso. De acordo com ele, o adiamento do concurso foi amplamente noticiado pela imprensa nacional e pela Internet. ''A maioria das pessoas não vieram para o concurso. O que demonstra que o adiamento do concurso teve ampla publicidade. Não cabia ao Estado mais nenhum tipo de ônus'', justificou ele. (Colaborou Luciana Pombo)


