Adiado projeto sobre receitas datilografadas
Edna Mendes
De Cornélio Procópio
O projeto do vereador Silvio Cunha (PMDB) que exige receitas datilografadas dos médicos que atendem nos postos de saúde de Cornélio Procópio não entrou em votação na sessão da Câmara de Vereadores de anteontem à noite, conforme previsto. O vereador Fernando Repinaldo (PMDB) pediu vistas ao projeto para consultar o Conselho Regional de Medicina (CRM). O órgão adiantou à Folha que considera o projeto inconstitucional.
De acordo com o presidente da Delegacia Regional do Conselho de Medicina, em Londrina, José Luiz de Oliveira Camargo, o projeto é inconstitucional porque nenhuma lei pode obrigar os médicos a datilografar. Segundo ele, os médicos têm obrigação de escrever as receitas com letra legível. Nem todo médico sabe datilografar, além do que, é obrigação de todo o médico se fazer claro ao paciente assim como prescrever receitas de fácil compreensão, afirmou.
Segundo Camargo, existe uma resolução no Conselho Regional de Medicina que obriga os médicos a emitir receitas com letra legível. Quem não cumpre essa resolução está sujeito a punição que fica a critério do conselho, explicou. Para ele, em vez de um projeto obrigando médicos a datilografar receitas, seria mais viável que esses profissionais sofressem um processo de educação para tornar suas letras mais legíveis.
O vereador Silvio Cunha, disse que objetivo do projeto é evitar erros na compra de medicamentos por causa da letra ilegível de muitos médicos. Para Cunha, o projeto também facilitaria o trabalho dos atendentes de farmácias e farmacêuticos que enfrentam dificuldades para decifrar a letras de alguns médicos. O vereador afirmou que já conseguiu 15 máquinas de datilografia para equipar os postos.
O projeto de Cunha encontra resistência dos vereadores Reinaldo Carazzai Filho, Fernando Repinaldo e Jader Correia, que são médicos. Anteontem, durante sessão da Câmara, o vereador Carazzai Filho argumentou que a população não precisa saber o que está escrito na receita, porque senão as pessoas acabam gostando do medicamento e compram mais.





