Adiado julgamento do caso Andreis
Paulo Pegoraro
De Cascavel
O barqueiro Jolcimar Pes, o Gilsão, 28 anos, que havia sido condenado como envolvido na morte dos empresários Quinto e Celso Andreis (pai e filho), deveria ser julgado novamente hoje, em Guaíra (160 quilômetros a oeste de Cascavel), mas o júri foi adiado ontem. Um dos advogados de defesa apresentou atestado médico afastando-o temporariamente do trabalho, e outro abandonou a causa. O julgamento anterior, em agosto do ano passado, foi anulado pelo Tribunal de Justiça, conforme recurso do Ministério Público (MP).
A decisão do juiz Mauro Ticianelli de adiar o novo júri provocou protesto do assistente de acusação, advogado Aparecido Martins, que representa a família das vítimas no caso. Segundo ele, Carlos Dissenha apresentou atestado de que está com pressão alta, o que não deveria ser motivo aceito pelo juiz, por tratar-se de mal controlável com remédios. O advogado Luiz Lourenço renunciou mas, segundo Martins, o Estatuto da OAB obriga o profissional a manter-se na causa até 10 dias após a renúncia.
O juiz Mauro Ticianelli disse à Folha que considerou consistentes as argumentações do médico do advogado, de que ele precisa se manter afastado do trabalho até o dia 31. No caso do renunciante, ele alegou que não poderia fazer a defesa sozinho, em função do pouco tempo para preparar-se para assumi-la integralmente. Para o magistrado, poderia haver prejuízo direto para o réu, e acabaria resultando em nova anulação do julgamento. Ticianelli não definiu nova data para o júri, mas ele não acontecerá neste ano.
O caso Andreis é o de maior repercussão na região de Guaíra. Quinto e Celso Andreis, que tinham respectivamente 60 e 34 anos, dirigiam empresa de extração de areia e navegação no Rio Paraná, e foram mortos com vários tiros de pistola por dois homens, em julho de 96, num crime típico de encomenda. Os assassinos chamaram Quinto para fora de casa e o executaram. Celso foi morto ao tentar socorrê-lo. As investigações apontaram como matadores Edivaldo Alves e Ivan Azevedo, que estariam em Cuiabá (MT).
Um dos denunciados como mandante das mortes é Milton Andreis, 37 anos, sobrinho de Quinto, e que dirige empresa concorrente na extração de areia e transporte fluvial. Outro denunciado é Roque da Silveira, 34 anos, comerciante de importados e filho dos ex-prefeitos Osvaldino da Silveira e Ada da Silveira. Os dois, que negam qualquer envolvimento, já foram ouvidos em juízo, mas não há previsão de quando serão submetidos a julgamento.
Gilson Pes havia sido condenado há 12 anos e 2 meses por ter conduzido os pistoleiros pelo Rio Paraná. O MP recorreu, porque considerou que os quesitos apresentados pelo juiz aos jurados teriam sido confusos, resultando em pena insuficiente. O barqueiro permaneceu preso inicialmente em Guaíra e depois foi transferido para Toledo, até ser solto, em agosto, em decorrência da anulação do julgamento.





