Adiado julgamento de crime cometido há 16 anos
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terça-feira, 23 de março de 2004
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Dezesseis anos e seis meses depois, a Justiça ainda não conseguiu julgar Márcio Vale Giovanetti, acusado de ser o autor do tiro que matou o funcionário da Sercomtel, Daniel Hermes Fleuringer, 20 anos. O crime aconteceu na madrugada do dia 5 de setembro de 1987, na Avenida Higienópolis (Área Central de Londrina), mas o julgamento que deveria ocorrer ontem foi adiado, mais uma vez, para o dia 6 de abril. O motivo: duas das cinco testemunhas de defesa não foram oficiadas para comparecer perante o Tribunal do Juri. O pedido de adiamento partiu do advogado do réu, Luiz Tavanaro Gaya. Ele alegou cerceamento de defesa em razão da ausência das testemunhas que iriam depor em favor do acusado.
O crime teria ocorrido depois de uma briga de trânsito. Giovanetti havia estacionado seu Opala na avenida e o veículo teria sido atingido por um Santana, com placas de São Paulo, ocupado por quatro pessoas. Os envolvidos na colisão teriam iniciado uma discussão e os ocupantes do Santana teriam tentado fugir do local, intimidando Giovanetti com uma arma. Nesse momento, segundo Gaya, seu cliente teria ido até seu veículo, pego um revólver e disparado contra o Santana. O tiro atingiu o rosto de Fleuringer, que estaria em uma padaria nas proximidades. Ele foi socorrido e levado para a Santa Casa, onde permaneceu internado por dois dias mas não resistiu ao ferimento. ''Meu cliente não notou que tinha ferido alguém. Só soube disso horas depois, quando ligou para o hospital'', apontou Gaya.
O presidente do Tribunal do Juri, juiz João Luiz Cléve Machado, lamentou a demora no julgamento desse caso, que já teria sido adiado por pelo menos oito vezes, algumas a pedido da defesa e outras a pedido do MP. ''É preciso evitar todo adiamento de juri porque isso é visto como um descrédito para a Justiça'', comentou.
Descrença que o irmão da vítima, o professor Rogério Giroldo Fleuringer, 33 anos, confessou que a família já sente em razão da demora para se conhecer uma definição sobre o caso. ''A família não acredita em mais nada. Infelizmente não sei quantos recursos podem ser pedidos. Da nossa parte, estamos totalmente descrentes. Percebemos que a impunidade é extrema'', apontou.


