Silvana Leão
Adiada para amanhã, ou no máximo quinta-feira de madrugada, a transferência das três detentas do 2º Distrito Policial (DP) de Londrina que foram separadas dos filhos por ordem judicial há quase 20 dias. Elas serão removidas para a Penitenciária Feminina do Estado, em Curitiba, junto com os dois bebês que ainda estão sendo amamentados. Na sexta-feira, a promotora da Vara da Infância e da Juventude, Édina Maria Silva de Paula, acreditava que a remoção seria feita até hoje, mas os documentos necessários não ficaram prontos a tempo.
O caso das detentas gerou polêmica na cidade, com várias pessoas manifestando-se contrárias à separação de filhos e mães. Durante mais de 10 dias, os bebês foram amamentados apenas três vezes por dia. Ontem à tarde, a delegada do 2º DP, Waldete Testoni, aguardava o ofício do Juiz da Vara da Infância e da Juventude, Dimas Ortêncio de Mello, autorizando a permanência em definitivo das crianças com as mães, Alcilda Alves Berto e Rita de Cássia Henriques.
As presas mostravam-se tranquilas, ontem, durante visita dos bebês para amamentação. Rita de Cássia explicou que conseguiu o que queria: ficar junto da filha. ‘‘Em nenhum momento eu usei a minha filha para tentar minha liberdade. Eu só quis que meus direitos fossem assegurados.’’ Ela está animada com a possibilidade de poder estudar e trabalhar dentro da Penitenciária do Estado.
Alcilda Berto também se declarou feliz com a solução encontrada para o caso, mas se disse preocupada com os outros nove filhos que estão ficando em instituições. ‘‘Tenho um outro filho de um ano e nove meses, que está separado dos irmãos, no Lar Anália Franco. Fiquei sabendo que ele está muito triste e eu gostaria que ele fosse transferido para o Nuselon, onde estão os irmãos.’’ Segundo Alcilda, nos oito meses que ficou detida no 2º DP, o filho nunca foi levado até ela. O caçula, que irá com ela para Curitiba, tem 24 dias de vida.
A terceira detenta que será removida para a capital é Maria Cristina Nalevaiko. Seu filho de sete meses passou a viver com parentes, que moram na região metropolitana de Curitiba, desde que foi determinada a retirada das crianças da cela.

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