Adeus, aterro da Caximba
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 02 de novembro de 2010
Carlos Eduardo Kiatkoski<BR> Equipe da FOLHA 
Curitiba - Após 21 anos, o Aterro Sanitário da Caximba, que recebia o lixo de 18 municípios da Região Metropolitana de Curitiba, foi desativado. No entanto, esta é apenas a primeira etapa de um processo que deve levar anos. Moradores do bairro e lideranças políticas se reuniram na manhã de ontem para despedida de um vizinho incômodo. Em missa celebrada na Capela São João da Caximba, o padre José Antônio da Cunha lembrou alguns casos de aborto e acefalia, que, segundo a comunidade local, estariam relacionados aos resíduos gerados pelo lixo doméstico depositado no local.
Após a missa, manifestantes se dirigiram em carreata para se despedir da montanha de lixo acumulado por anos. Na entrada do aterro, guardas municipais aguardavam os manifestantes para impedir uma eventual tentativa de invasão ao espaço. Porém, a manifestação ocorreu de forma pacífica.
O espaço recebia lixo doméstico da Capital e de outras 17 cidades da região Metropolitana. Esse material descartado terá como destino outros dois depósitos licenciados pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e credenciados pelo Consórcio Intermunicipal de Resíduos Sólidos Urbanos. Ambos foram contratados em carater emergencial. A previsão é de que essas duas novas áreas recebam o lixo pelos próximos dois anos.
O aterro da empresa Estre Ambiental, situado na Fazenda Rio Grande (RMC), receberá cerca de 2.300 toneladas/dia. Já o aterro da Cidade Industrial de Curitiba (CIC), administrado pela empresa Essencis Soluções Ambientais, fica com a outra parte dos resíduos urbanos, aproximadamente 100 toneladas/dia. Os dois novos espaços vão custar para os cofres municipais R$ 47 a tonelada de lixo. O dobro pago pela mesma quantia anteriormente despejada na Caximba.
Mesmo com a área fechada a prefeitura continuará com obras de drenagem, melhoria do sistema de tratamento de chorume, entre outras aprovadas pelo IAP no Plano de Encerramento, apresentado pela capital.
A secretaria do Meio Ambiente pretende usar a área para a construção de um parque na região, além de desenvolver projetos para o aproveitamento do biogás do aterro. Para o presidente da ONG Aliança para o desenvolvimento da Caximba (Adecom), Jadir Silva de Lima, parte do lucro gerado pela exploração da área deve ser revertida em benefícios à comunidade.


