Adeus ao primeiro carteiro
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quinta-feira, 14 de junho de 2012
Widson Schwartz <br>Especial para a Folha 
Morreu ontem aos 99 anos incompletos Joaquim Diogo da Silva, ''seu Nenê'', o primeiro carteiro de Londrina, de 1934 a 1943, depois exclusivo vendedor de jornais no trem de passageiros até se tornar funcionário municipal, historicamente o primeiro a se aposentar, na década de 1950.
Costumava lembrar que não fora propriamente entregador de cartas, porque a cidade era pequena, os moradores iam à agência buscar a correspondência e seu trabalho consistia em trazer a mala postal de Ourinhos. De trem até Jataí, atravessando o Rio Tibagi em balsa e embarcando na jardineira rumo a Londrina.
No velório, a filha Carmem Lúcia disse que um dos personagens das história do pai era Celso Garcia Cid, por ter sido o dono da jardineira e nunca ter permitido que o estafeta do Correio pagasse pelo transporte.
''Ele queria chegar aos 100 anos e ia completar 99 no dia 12 de novembro próximo'', lembrou o filho mais velho, João Carlos da Silva, ativo veterinário e sanitarista em Londrina. Apesar da imprevisível deficiência renal que determinou a sua hospitalização, Joaquim Diogo morreu calmamente, sem sofrer, e o sepultamento foi ontem às 17 horas no Cemitério Parque das Oliveiras. Casado com Eutália Nunes da Silva, estava viúvo há cerca de dois anos e deixou quatro filhos (João, Carmem, Ana Áurea e Rose Marie), sete netos e nove bisnetos.
Paulista de Tambaú e órfão de pai, Joaquim Diogo da Silva chegou com 19 anos a Londrina, com a mãe e nove irmãos mais novos, empregando-se na agência do Correio, então na Rua João Cândido entre a Sergipe e a Benjamin Constant. Leonilda Marquezini era a responsável pela agência.
Ele trabalhou cerca de quatro anos sem registro, até receber a credencial de ''empregado postal'' n.º 724, expedida em 10 de junho de 1938, pela Administração dos Correios do Brasil, chefia do serviço em Curitiba. Salário: 180 mil réis mensais.
Já havia casado ao deixar o Correio, em 1943, para ser vendedor de jornais e revistas no trem de passageiros entre Ourinhos e Apucarana, com exclusividade. E ingressou na Prefeitura de Londrina em 1945, na administração do prefeito José Munhoz de Mello. Na década de 50, o prefeito Milton Menezes o deslocou da fiscalização para administrar o matadouro municipal.
Quando recebeu o diploma de reconhecimento público outorgado pela Câmara Municipal, na década de 90, Joaquim Diogo foi lembrado também por ser o primeiro funcionário municipal de Londrina aposentado, em 1957, por causa de uma lesão pulmonar. E da sua passagem pela Prefeitura restara a grande amizade com Milton Menezes.


