O adestrador que traz soluções inteligentes para as queixas de comportamento dos cãezinhos na televisão atrai a atenção de todo mundo que tem um amigo canino em casa. O método utilizado não se parece nada com o que costumávamos relacionar ao método tradicional. ''Reforço positivo'' é como os adestradores modernos chamam essa nova maneira - é oferecido ao bicho algo que o faça manter ou aumentar a frequência de um comportamento adequado (um petisco, por exemplo), ao contrário do método mais tradicional, que pune o animal pelas atitudes inadequadas.
Quando a dona-de-casa Eliane de Oliveira Toppa comprou a basset hound Thalita, não imaginava que teria tanto trabalho para lidar com ela. Thalita é extremamente dócil, mas possui uma energia impressionante. ''Destrói tudo que pega, roupa do varal, coisas em cima da mesa. Se o dia tivesse 28 horas, seriam 28 horas fazendo arte''. E o portão não pode ser esquecido aberto, que a cadelinha foge.
O desgaste foi tão grande que a família chegou a cogitar doá-la. Mas antes resolveram pedir a ajuda de um adestrador. Thalita então passaria por um teste: se com o primeiro mês de adestramento passasse a se comportar bem, ficaria na casa. Passado um mês, Thalita se acalmou um pouco, e a família resolveu ficar com ela. Em compensação, a rotina de Eliane e suas três filhas precisou se adequar à nova integrante da família.
Para tentar conter as fugas de casa, o adestrador ensinou a Thalita comandos como ''sentar'' e ''ficar'' dentro de casa, mesmo com o portão aberto. Toda vez que ela se comportava bem, ganhava petiscos como recompensa. E para que as roupas do varal e a comida sobre a mesa não fossem mais perdidas, a família foi incumbida de vigiar a cadela. O ideal é que ela fosse repreendida antes que o fato acontecesse. Então, ao menor sinal de que o bichinho fosse avançar nas roupas ou na comida, ela levava uma bronca. Também foi instalado um simples sistema de correção: garrafas pet recheadas de pedrinhas penduradas no varal e sobre a mesa se encarregam de assustar Thalita quando ela resolve se comportar mal.
Toda a energia que ela gastaria fazendo arte teve que ser transferida para outras atividades. Por isso, brincadeiras tiveram de ser intensificadas.

Reforço positivo
O estudante de Ciências Biológicas Luiz Gustavo Frederichi é quem fez o trabalho de adestramento com Thalita. Adepto do reforço positivo, ele explica que esse tipo de método também utiliza a punição, mas ao invés de tomar alguma atitude desconfortável para o cãozinho, basta remover dele alguma coisa que ele quer, por exemplo. Barulhos para assustar o cão também são utilizados, mas nada que cause desconforto físico.
De acordo com o adestrador, a principal queixa dos proprietários é a hiperatividade - ''está no topo da lista'' -, seguido de outras subordinadas a esta, como o hábito de roer ou comer tudo o que vê e de pular, assim como a agressividade. O adestramento varia de caso para caso, mas Frederichi calcula uma média de três a quatro meses para finalizar o trabalho ''com o acompanhamento do dono'', ressalta.
Segundo ele, o adestramento quando acompanhado pelo dono rende muito mais que o trabalho realizado só entre treinador e cachorro. ''Eu peguei um Border Collie (considerada uma das raças mais inteligente de cachorro) para treinar e é impressionante a velocidade com que o cachorro aprende. Não por causa da raça, mas porque a família toda se empenhou em adestrá-lo.'' É por isso que o adestramento a domicílio é considerado por Frederichi o mais adequado. Além do mais, o cãozinho se sente mais à vontade em um ambiente conhecido.

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