Curitiba - O prazer imediato está mais uma vez em xeque. Entre a responsabilidade e o impulso, às vezes leva vantagem o argumento de que a camisinha atrapalha. Na era da informação, ainda há quem se arrisque e assuma as consequências de fazer sexo sem preservativo.
Adeptos do sexo ''não seguro'' estão entre todas as classes sociais. São jovens, idosos, mulheres, homens, casados e solteiros. Não há como mensurar, não há registro de quantos ou quem são. Ainda hoje, até mesmo as ''profissionais do sexo'', conhecendo os riscos e desconhecendo os parceiros, aceitam transar sem proteção. E homens buscam por isso.
Após uma denúncia, a reportagem da FOLHA foi a campo confirmar as informações. Em uma boate no bairro Santa Cândida, em Curitiba, com menos de cinco minutos de conversa, as prostitutas já estavam dispostas a se arriscar. A ''aventura'' sai por R$ 90, R$ 70, ou até por menos. Na capital, cada mulher faz entre dois e três programas por dia. No final da década de 80, chegava a 20.
''Eu posso responder nacionalmente, porque represento o Paraná. Nós temos, sim, mulheres que fazem sexo sem preservativo. Porque mudança de comportamento é muito difícil. E a gente vê isso, não só na prostituição, como nos lares'', afirma a presidente da ONG Liberdade, Carmem Costa.
A entidade trabalha diariamente com orientação e apoio a prostitutas de Curitiba e outras cidades do Paraná. Segundo uma estimativa de 2005, seriam cerca de 30 mil garotas de programa na Capital e Região Metropolitana. A organização distribui entre 20 e 25 mil camisinhas por mês em Curitiba e arredores. Em média, são nove preservativos por mulher atendida pela ONG a cada semana.
Carmem dá um nome à prática do programa desprotegido: corrupção. ''O jornalista, o professor também passam pelo mesmo problema, a corrupção. E não é diferente na prostituição. Porque, se eu preciso do dinheiro, e o dinheiro é bom, eu vou me colocar no risco, mas só vou pensar depois. Aí eu vou pensar: 'Poxa, eu ganhei R$ 400, R$ 200, R$ 100, R$ 50, mas eu não pensei no que isso ia me custar mais tarde'. E isso acontece em todas as profissões''.
Questionada se a situação é facilitada dentro das casas de prostituição - seriam 3.174 pontos em Curitiba, segundo levantamento da ONG -, Carmem argumenta que os donos das boates orientam as mulheres sobre o uso da camisinha. ''Mas é assim, numa relação sexual é você e o parceiro. Quem manda na relação são vocês dois. O dono da casa não está lá para pesquisar isso. Ele pode orientar, mas não pode obrigar a mulher''. (Colaborou Omar Godoy).

mockup