Com o argumento de uso do local por traficantes e usuários de drogas, a administração municipal decidiu demolir todos os banheiros públicos da Área Central de Londrina com exceção do que fica na praça Marechal Floriano Peixoto. Os sanitários antes localizados no Bosque e em frente ao Teatro Ouro Verde já foram para o chão. A decisão é alvo de críticas de comerciantes, ambulantes e frequentadores do Calçadão.
A opção por demolir os imóveis provocou indignação de uma parcela da população cujas dificuldades para usar os banheiros é ainda maior: os portadores de deficiência física e pessoas com baixa mobilidade. Para a Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil), o problema é a quantidade reduzida de banheiros e a completa ausência de locais adaptados.
''Não há nenhum banheiro público adaptado para deficientes físicos em Londrina'', denuncia o suplente de delegado da entidade, Luiz Praxedes, 41 anos. A Adefil reivindica a construção de mais sanitários espelhados pelo Centro da cidade. Hoje, os usuários têm opções na Praça da Bandeira, perto do antigo coreto do Calçadão e no começo da Rua Quintino Bocaiúva.
O argumento da administração municipal para justificar as demolições também é criticado pelo representante da Adefil. ''A prefeitura diz que derrubou o banheiro porque estava reunindo traficantes e usuários. A cidade está cheia de drogados. Se for assim, vai ter de derrubar a cidade toda'', alfineta.
A artesã Maria José Lopes, 50, se vira como pode para driblar a falta de banheiro. Escolada, ela usa o auto-controle para não precisar ''incomodar'' os comerciantes vizinhos para pedir para usar o sanitário. ''Faço minhas necessidades de manhã e depois só à noite'', revela.
Os usuários do local contam que o banheiro da frente do Ouro Verde era bem conservado e foi demolido da noite para o dia, sem aviso prévio. Nem mesmo uma torneira foi poupada. Agora, para tomar água, a artesã precisa gastar no comércio da área.
A solução, tanto para Maria José quanto para Praxedes, é a contratação de vigilantes para manter os banheiros, que dessa forma não seriam depredados. ''O que é público pertence ao povo. E a prefeitura não tem que derrubar o que é do povo. O tempo que o Nedson (Micheleti) usa destruindo, ele deveria usar para construir novos banheiros. É um prefeito que não gosta de pobre'', critica a artesã.
A retirada dos banheiros que sobraram, na João Cândido e na Quintino Bocaiúva, foi confirmada pelo secretário municipal de Obras, Aloysio Crescentini de Freitas. O projeto de revitalização completa do Calçadão prevê a manutenção apenas do sanitário da Praça Marechal Floriano Peixoto, cujo projeto prevê o cumprimento das exigências de acessibilidade.
O projeto está em fase de finalização no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e deve custar perto de R$ 15 milhões. A previsão é iniciar a revitalização no início de 2008. Segundo Freitas, a retirada dos banheiros também foi elogiada. Quanto à crítica de que a falta de banheiros afeta principalmente os mais pobres, o secretário respondeu: ''Acho que isso é um pouco de desculpa de pessoas que terão o comércio prejudicado.''

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