Adé Fidan diz que Saúde retém recursos da Aids
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 25 de setembro de 2006
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
O coordenador geral da Adé Fidan - entidade londrinense que apóia portadores do vírus HIV - Edson Bezerra, esteve ontem a tarde no gabinete do promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais da Saúde Pública, Paulo Tavares. Ele foi para denunciar que a entidade está desde 2004 sem receber um repasse de R$ 26 mil feito mensalmente pelo Ministério da Saúde. Segundo Bezerra, que também preside a Comissão Municipal DST/AIDS, o valor retido pela Secretaria Municipal de Saúde já chega a cerca de R$ 1 milhão de reais.
''Entreguei ao promotor o relatório de todo o montante que a Secretaria ainda não nos repassou. Todas as atividades de prevenção e assistência que deveriam estar sendo realizadas junto à sociedade civil estão paradas porque esse dinheiro não nos é repassado. Diversas ONGs que trabalham com DST/AIDS estão dependendo desse dinheiro para trabalhar. A própria campanha de 1º de Dezembro - Luta contra a AIDS - pode não acontecer esse ano'', explicou Bezerra.
O coordenador disse também que o repasse do dinheiro não depende da greve dos servidores municipais porque é repassado diretamente pelo Ministério da Saúde. ''Desde 2004 temos recebido só cerca de 20% do dinheiro''.
Para o promotor Paulo Tavares, a denúncia é preocupante. ''Vamos pedir informações urgentes da Secretaria da Saúde para que nos esclareça se essas informações procedem ou não. O relatório que Bezerra me entregou não está batendo com as prestações de conta do Fundo Municipal da Saúde'', disse Paulo Tavares.
A secretária de Saúde, Josemari Arruda Campos, disse que foi informada do caso pela imprensa e que deve se encontrar com Bezerra ainda hoje para maiores esclarecimentos. ''Existe um plano de ações e metas que determinam o que e como o dinheiro é usado. Algumas coisas são facilmente providenciadas, outras precisam passar por processo licitatório. ONGs que não estiverem regularizadas não recebem o repasse. Preciso analisar o caso da Adé Fidan e averiguar o caso com mais cuidado''.


