Adaptação leva seis meses
Curitiba - Normalmente, a adaptação dos índios que passam no vestibular é difícil. ''Os problemas que eles enfrentam não são tão diferentes dos outros. A gente reparou que as dificuldades que eles têm são as mesmas das demais cotas sociais (negros e pobres). As disciplinas parecem ser mais difíceis, os valores são diferentes. O errado é que temos que trabalhá-los de forma igual. Mas as diferenças precisam ser respeitadas'', ponderou Cristiane Ribeiro da Silva, coordenadora do Núcleo de Atividades Formativas da UFPR.
A adaptação do índio ocorre, segundo a professora, em até seis meses. ''A primeira dificuldade que eles enfrentam é a da língua. Depois, a cultura que é outra. Em 2005, quando implantamos o vestibular indígena, sofremos muito para nos adaptar a eles. E eles, a nós. Agora, parece que é mais fácil'', disse. Os índios com mais dificuldades são os oriundos de aldeias distantes.
A Funai fornece uma bolsa para que os índios possam se manter em terra distante. O valor é de R$ 560 mensais. ''Sem esse auxílio, os índios não conseguiriam se manter. Eles vêm com suas famílias. Não deixam para trás os seus. A família sempre tem que acompanhar as mudanças. É próprio deles, que são semi-nômades''. O dinheiro da Funai é depositado para alimentação e hospedagem. Os próprios índios administram os recursos. A UFPR, por exemplo, complementa a bolsa com R$ 210 para material didático, cadernos e fotocópias. (L.P.)





