"O sabor das frutas e dos peixes não é igual dos encontrados na aldeia. Além disso, o clima de Curitiba é muito diferente do Amazonas. Eu vivo gripada", relatou a estudante do curso de Engenharia Florestal Iva Ruiz, que foi aprovada no Vestibular dos Povos Indígenas do ano passado, realizado em Guarapuava. Neste ano, ela se inscreveu novamente para o vestibular indígena com o objetivo de entrar no curso de Direito na Universidade Federal do Paraná (UFPR). "Eu já estou estudando lá, mas o curso de Engenharia Florestal é integral e preciso trabalhar", justificou Iva, que mudou no ano passado da Aldeia Kaixinã, localizada na fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.
Apesar das dificuldades na adaptação, a estudante disse que foi muito bem recebida por professores e alunos. "Ninguém aprovou a ideia da troca de curso. Pela minha origem, existe uma ligação com a floresta e a natureza e isso ajudou muito neste primeiro ano de graduação", afirmou. Para matar a saudade da família, separada por mais de 4 mil quilômetros, Iva utiliza o telefone, principalmente por causa da precariedade dos serviços de internet na aldeia. "Quando minha mãe vai para Manaus, fica mais fácil de entrar em contato pelo computador", comentou.
O candidato Robert Barreto espera seguir os meus passos da conterrânea amazonense. O primeiro desafio foi uma viagem de quatro dias pelo Rio Negro entre a Aldeia Içara e Manaus, onde embarcou em uma aeronave até São Paulo. "Eu fiz um curso preparatório e espero conseguir a vaga. Ainda não decidi o curso, mas será na área de Exatas", revelou. Na aldeia no Norte do Amazonas vivem quatro famílias, que trabalham na agricultura de subsistência. "Produzimos farofa e tapioca, colhemos frutas como açaí e pescamos peixes de água doce. Só compramos outros produtos necessários, como de higiene pessoal." (R.F.)

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