Todo ano é a mesma coisa. Sonolência, dificuldade de levantar no horário, sensação de moleza que permanece durante o dia inteiro. Estes são alguns dos sintomas que a população de 13 Estados brasileiros enfrenta nos primeiros dias de vigência do horário de verão, mesmo que a alteração determinada pelo governo já venha sendo implantada por vários anos para economia de energia elétrica.
O médico Attílio Melluso Filho, especialista em distúrbios do sono, diz que o horário de verão pode trazer consequências ainda mais graves, como distúrbios gastrointestinais, que incluem a falta de apetite e prisão de ventre. É comum as pessoas, principalmente crianças, sentirem irritabilidade e redução de memória e concentração. Mas, por outro lado, são as crianças que conseguem se readaptar com maior rapidez à mudança.
O segurança Pedro Gonçalves diz que os profissionais que trabalham à noite sentem ainda mais as alterações provocadas pelo horário de verão. A maior dificuldade, segundo ele, é ter que entrar uma hora mais cedo e enfrentar a noite toda para ir embora. ‘‘Parece que neste horário as horas demoram mais a passar’’, diz. Todos os dias, Gonçalves entra às 18 horas no trabalho e só sai às 8 horas do dia seguinte.
O médico Attílio Melluso diz que as dificuldades, enfrentadas pelas pessoas, são provocadas por causa do relógio biológico, que tem 25 horas, período do ciclo de sono e vigília de cada um. A readaptação desse relógio necessita de aproximadamente 72 horas para que o organismo volte a trabalhar normalmente.
Para evitar que o sofrimento seja ainda maior, o especialista diz que as pessoas podem seguir algumas regras básicas. Elas devem evitar medicamentos e alimentos que contenham cafeína. A ingestão de café, chocolate, chá-mate e refrigerantes tipo cola fica proibida. Todos eles, assim como o cigarro, são estimulantes e acabam fazendo o sono ir embora. Antecipar a cada dia em vinte minutos o horário de dormir também ajuda na readapatação.

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